segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Bibliomóvel, ou os meus primórdios como leitor

asd5t.png


Este post é sobre um artigo que li no fim de semana e uma lembrança com mais de 30 anos. O artigo é da Visão, “Bibliomóvel de Penafiel: os livros que a peste não levou”, a lembrança com mais de 30 anos é minha e também inclui o Bibliomóvel.


Já aqui escrevi anteriormente que nasci e cresci numa pequena aldeia do Alto Alentejo, com cerca de 1000 habitantes, onde a única biblioteca física existente era a da escola primária, com cerca de três dezenas de livros, muitos técnicos e antigos (lembro-me em particular de um que ensinava a jogar ténis) que pouca gente lia.


Havia, no entanto, um refúgio. Mensalmente, passava na aldeia a Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, o equivalente ao que é hoje o Bibliomóvel.


Lembro-me da primeira vez que lá fui. A medo, envergonhado, mas rapidamente isso passou, porque o bibliotecário de serviço, mais tarde carinhosamente apelidado por nós de “Sr. Engraçadinho”, pôs-me à vontade e deu-me as boas vindas.


Devo muito a esse senhor porque me aconselhou e escolheu livros, e de certa forma foram muitas das suas escolhas que me criaram o bichinho da leitura. Todos os meses, lá estava para trocar os livros que tinha requisitado no mês anterior e levar novas histórias. Foi aí que descobri “Os Cinco” e mais tarde “Uma Aventura”.


Quando li a notícia da Visão senti-me a regressar ao passado. Os tempos são outros, e hoje são ainda “mais outros” no contexto que vivemos, mas o fundamento é o mesmo: estas carrinhas cheias de livros levam vidas novas a quem está muito afastado da vida que a maioria de nós conhece. Sejam crianças ou idosos, mais de trinta anos depois o seu efeito continua a ser o mesmo: criam leitores, e isso, nos dias que correm é uma tremenda vitória.


Nota: leiam o artigo que vale bem a pena.

2 comentários:

  1. Olá, não sou "Engraçadinho", mas conduzo uma biblioteca ambulante. É assim que eu gosto de pronunciar, a Biblioteca Itinerante de Abrantes (Bia), que infelizmente não se encontra a viajar pelo concelho naquilo que ela sabe realizar melhor que ninguém, levar histórias aos mais distantes dos centros urbanos. Inexplicavelmente não compreendo como uma pandemia consegue obstruir a leitura a pessoas que não podem, não querem arriscar nos transportes públicos, muitas vezes escassos e perderem a oportunidade de se refugiarem dentro do livro lendo as histórias.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Antes de mais obrigado pelo seu comentário. Comprrendo o que diz.
      Tenho muito respeito e consideração por quem, como o senhor, tem um real impacto na vida das pessoas através dos livros. De valor.
      Espero que a breve prazo possa estar novamente na estrada. Tudo de bom e boas leituras!

      Eliminar