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“Trump is the wrong man for the job”. É assim que termina “Rage” o livro de Bob Woodward que ontem conclui.
Podemos dizer, por tudo o que vimos e ouvimos nos últimos quatro anos, que não se trata de uma conclusão brilhante nem surpreendente, no entanto mereceu algumas críticas ao jornalista e autor pelo facto de ter tomado uma posição crítica e menos equidistante em relação ao “objeto” de estudo do seu livro. O autor defende-se, e bem, na minha modesta opinião, dizendo que se trata de uma conclusão óbvia de tudo o que escreveu ao longo do livro. E é de facto.
O livro tem por base 17 entrevistas que o autor fez e gravou (16 delas) com Trump desde o final de 2019 até junho / julho de 2020 e muitas outras com outras personalidades próximas dele, e ainda de informação recolhidas junto de fontes referenciadas como fidedignas.
Considerando os timings, o livro acaba por retratar de perto a gestão que Trump fez /não, fez da pandemia, a forma como se comporta, como reage como é visto pelos pares, as suas atitudes irrefletidas, comportamentos de criança de tudo menos de um presidente dos EUA.
Há inúmeros relatos que parecem saídos de um mau livro de ficção. Muitos da boca do próprio Trump. São referidas e explicadas em detalhe situações que apenas tivemos visibilidade pela rama (como despedimentos de elementos da sua Administração).
O epílogo do livro é por si só uma peça jornalística de grande qualidade. Um resumo perfeito de Trump, da sua presidência e de alguns que o rodeiam, explicando de forma simples, mas detalhando aquilo que todos sabemos, Trump é o homem errado para o lugar.
Um livro de grande qualidade que merece leitura, mesmo para quem esteja farto de Trump.


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