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Á semelhança do que aconteceu em anos anteriores, o Ministério dos Livros deixará ao longo dos próximos dias sugestões para a Feira do Livro de Lisboa.
É uma forma de partilhar sugestões com os leitores deste espaço e de deixar ao mesmo tempo um obrigado à editoras que apoiam o Ministério.
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Deste livro lamento apenas ter chegado tarde ao autor. Que pena não ter tirado os seus livros da estante antes (tenho mais alguns por casa). Gosto de gente que, por mais sério que seja o assunto, consegue encontrar sempre um prisma, por mais impercetível que seja, para relativizar e engrandecer, ao mesmo tempo, a importância do que temos em mãos.
Não se espere um livro lamechas, cheio de lamentos e arrependimentos, de conselhos para aproveitar o momento. Nada disso. É uma conversa, espirituosa, filosófica e em muitos momentos animada sobre dar importância a isto de cá andar e saber relativizar a nossa existência.
Somos o que vivemos e as memórias que guardamos desses momentos, somos a nossa capacidade de amar e mais importante que isso, de nos deixarmos ser amados, somos o quanto rimos e aquilo de que nos escolhemos rir.
Um dia, quando chegar aos meus 105 anos e me sentar para escrever as minhas últimas linhas, espero ter esta clareza de espírito, sair de palco ainda capaz de fazer uma vénia ao público, sabendo que olho para trás e foi bom o caminho.
Leiam, pela vossa saúde.
Já se encontra disponível o novo episódio do Podequéste dos Livros, relativo às leituras de abril.
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“Abundância” era uma leitura aguardada com expetativa. Trata-se de um livro que ficara no meu radar desde que Obama o apresentou com uma das suas recomendações no verão do ano passado.
Tive oportunidade de confirmar que é efetivamente uma leitura muito interessante e plena de conteúdo, ainda que, importa salientar, completamente virada para a realidade norte-americana. É se quisermos, uma manifesto para passar da palavras e ideias aos atos como forma de potenciar novamente a sociedade e economias americanas para o futuro e deixar cair muitos dos erros do passado recente e que não são apenas das administrações de Trump.
É um livro muito assente na necessidade de criar condições para construir, de passar da inovação à construção, de desburocratizar usando como exemplo a invenção e produção das vacinas para a Covid, e com um foco muito importante na energia. A diferença futura entre escassez e abundância depende disso.
Não sendo um livro exaustivo deixa-nos também uma muito considerável quantidade notas bibliográfica que permite complementar os pontos que são apresentados na obra.
Em resumo, uma leitura muito interessante, útil e a olhar para o futuro, algo que no contexto que vivemos é sempre útil. Haja coragem para passar das palavras aos atos quando se sabe o que é certo.
Chega às livrarias a 14 de maio. Recomenda-se.
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Começo por fazer uma comparação que, não sendo nova, por vezes utilizo para conseguir justificar o efeito de um livro. Este é o tipo de livro que se termina com a sensação semelhante à que é deixado por uma comida que várias horas depois ainda nos sabe na boca, e que quando a terminámos gerou uma sensação de satisfação suprema.
Jorge Calado presenteia-nos com um livro que mistura conhecimento com reflexão sobre a ciência no geral e sobre os seus limites em particular. É um verdadeiro manjar de conhecimento e informação e ao mesmo tempo uma carta de amor à ciência, com todos as suas virtudes e defeitos.
Neste caso, o único lamento que tenho é de ter escolhido a versão de audiolivro, não pela qualidade do mesmo, mas porque fiquei impossibilitado de registar anotações e comentários. Por isso também sei que terei de voltar a lê-lo em papel. Livro de leitura obrigatória. Tremenda qualidade e relevância nos dias que correm.
“Máquina de Escrever” não é um livro qualquer. É um livro escrito por alguém com quer partilho há muito a minha vida embora não seja isso que o torna um bom livro. Sou suspeito, naturalmente, pelas palavras que escrevo, mas não tenho problema com isso porque o que a autora escreve fala por si.
É possível encontrar em “Máquina de Escrever” textos que em nada ficam a dever a escritos de autores de renome. Para além disso não será difícil aos leitores encontrar algum texto com o qual se relacionem, ou que lhes desperte algum sentimento, por uma ou outra razão. Acredito que essa é também a função dos contos, e, não querendo entrar no campo de falar de favoritos, mas não posso deixar de mencionar um conto de que gosto particularmente, “Quantos anos dura uma vida”.
“Máquina de Escrever” é o primeiro livro de ficção da autora a ver a luz do dia, mas tenho certeza que será apenas o primeiro. Qualidade não falta, interesse também não, por isso fica a forte recomendação aos leitores e leitoras interessados para que confirmem por si mesmas (os).
Podem saber mais sobre o livro, sobre a autora e encomendar AQUI
Pareceu-me uma boa forma de assinalar o Dia Mundial do Livro. Um conjunto de oitos livros que, de uma forma ou de outra nos falam sobre… livros.
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Há pessoas em relação às quais tenho genuinamente curiosidade e gosto em ouvir o que tem para dizer. Siza Viera é uma dessas pessoas, por isso foi com muito interesse que li este novo volume da coleção da Contraponto “A Última Lição de”, desta feita conduzida e produzida por Patrícia Reis, cuja escrita aprecio bastante.
A mistura criada por Patrícia Reis das conversas e dos enquadramentos necessários aos períodos da vida do arquiteto, e até mesmo do processo de gestação do livro, resulta muito bem e faz desta obra um livro muito bem conseguido.
Por entre muitos facotes interessantes há um, se calhar para outros leitores sem grande importância, mas que registo como assinalável. Siza Vieira terá a nível nacional apenas um nome à sua altura, Eduardo Souto Moura. Contrariamente ao que acontece noutras profissões entre nomes de topos, Siza Vieira e Souto Moura são amigos, de tal forma que a casa onde vive Siza Vieira foi projetada por… Souto Moura.
Siza Vieira é um nome muito grandes, e dó as páginas necessárias para registar os trabalhos e prémios de Siza Vieira dizem bem da sua dimensão, e aos 92 dois anos continua a produzir obra.
Em resumo, esta é uma excelente oportunidade para conhecer um nome grande do nosso país, pela mão de uma autora com grande capacidade para o enaltecer. Uma ótima leitura, que apenas deixa água na boca por vontade de saber mais.
Peço a vossa atenção para as palavras que se seguem.
Este é um espaço de divulgação de livros, mas não divulguei nenhum até hoje com mesmo entusiasmo.
A senhora Ministra Cátia Madeira, assídua colaboradora deste espaço e minha companheira de vida, escreveu o livro de contos “Máquina de Escrever”.
Vou ser contido nas palavras para depois não ser alvo de represálias (excesso de lamechice), mas sabendo o amor que ela tem pela escrita e mais ainda reconhecendo a qualidade do que escreveu, é com muito orgulho que divulgo e recomendo “Máquina de Escrever”! ❤️
A todos os interessados, podem enviar mensagem ao Ministério, ou diretamente na conta da autora no Substack @catiamadeira ou no Instagram @catia.madeira.
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“As Raízes da Língua”, ou um agradável passeio por 50 palavras da nossa língua, e esse o melhor resumo que consigo fazer deste livro, que conquistou a minha atenção e que devorei praticamente na íntegra no fim semana da Páscoa.
É efetivamente um agradável passeio por um conjunto de palavras portuguesas muito distintas, com raízes diferentes, mas de igual interesse, pelo menos para mim, já que desconhecia a origem da esmagadora maioria.
Marco Neves é um excelente comunicador que facilmente nos cativa a ter mais interesse pela matéria-prima da nossa língua, as palavras. E neste livro fá-lo de forma muito particular.
Para quem gosta de livros, da nossa língua e de palavras não há como não gostar desta obra. Recomendado para lazer e aprendizagem.
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Há livros que só pelo título conquista a atenção dos leitores, ou pelo menos dos mais curiosos. Foi precisamente por isso que tive de espreitar este “Riso, Humor, Matemática” de Cláudia Custódio, logo que o recebi e pronto, seguiu até ao fim.
Trata-se de uma abordagem muito bem conseguida de pela autora de dois temas que por si só não são fáceis, o riso e o humor e menos ainda quando lhe juntamos matemática.
Mas a verdade é que a autora cumpre com os seus propósitos e oferece-nos um livro pleno de conhecimento a que adiciona uma componente de convite à reflexão. Há efetivamente uma ligação estreita entre o humor e a matemática que o leitor e levado a explorar.
Do meu lado fica o convite reforçado a outros potenciais leitores para explorarem a diversas (e nem sempre consensuais) vertentes do humor e a fazer a ponto com a matemática. Leitura muito agradável. De aprendizagem e reflexão. Uma bela escolha para leitura.
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Viver é, não só, mas também, ser capaz de continuar apesar de estarmos inevitavelmente destinados à perda. Não sei se é por isso, ou só por isso, mas interessam-me livros que explicam como se gere este processo, como se encara, como se continua ou persiste apesar dessa dor.
Pode ser a perda da vida que sonhámos, a perda de um amigo, a perda do pai, da mãe ou de um irmão. A perda da pessoa amada. O que nos leva a continuar e como avançamos com esse sofrimento sempre dentro de nós.
A perda de um filho, aquela com a qual não consigo conjeturar a possibilidade de continuação é, para mim – esperando que assim seja até ao último dos meus dias – o maior dos enigmas.
Talvez por essa razão, quando vi o título e li as primeiras páginas deste livro, de pé, numa FNAC, me tenha parecido que não poderia abandonar a livraria sem o levar comigo.
Entretanto, já em casa, fui deixando que marinasse na prateleira enquanto ganhava coragem para ler o que tinha para me contar.
Ficou assim, em espera, por mais de um ano. Fui, deliberadamente, deixando que outros lhe passassem à frente.
Mas há um mês (mais coisa menos coisa), quando acabei de ler Tudo na natureza apenas continua, de Yiyun Li, pensei para comigo que tinha de encerrar o tema e ler também este O pai da menina morta.
Sabia que seria diferente na forma e na perspetiva apresentada. Quando um (de Yiyun Li) mostra lucidez, clareza, pensamento racional, uma forma palpável e sem subterfúgios de continuar, o segundo (de Tiago Ferro), mostra o exato aposto. O caos que fica, as dúvidas contantes, o pensamento errático, a falta de lucidez.
Escrito em anotações soltas e apontamentos desconexos, parece-me tentar transparecer não só no texto escrito, mas também na forma, a desorganização que deixa tal perda.
Em comum têm apenas a perda mais indizível de uma vida e a constatação exatamente igual de que os outros fogem de pais que perdem filhos, como se essa desgraça fosse contagiosa.
Dito isto, apreciei o livro, mas, francamente, poderia ter sido mais curto. Pareceu-me que a determinada altura o livro andava às voltas e já se estava a repetir na mesma ideia que ficou clara nas primeiras páginas: que não há como acertar, um pai que perde um filho não tem como ganhar, se está bem é porque é mau pai, se está mal é porque nunca vai recuperar e é só uma questão de tempo para que acabe com a sua vida.
O discurso errático impediu-me, em vários momentos, de compreender exatamente a mensagem do autor porque não consegui entender com o que é que determinado assunto se relacionava com aquele momento.
Dito isto, fico satisfeita por ter lido ambos os livros quase de seguida, já que depois da tragédia, todos os desfechos são viáveis, sejam estes mais lúcidos ou menos.
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Já terminei este livro há vários dias e ainda não tinha conseguido escrever sobre ele. Será, tenho a certeza, uma das leituras desde ano que vai ficar, juntamente com o velho livreiro Nabil, comigo durante muito tempo.
Custa-me escrever que “O Homem que Lia Livros” é um livro belíssimo quando nele encontramos tanto dor, violência e perda, mas ao mesmo tempo encontramos resistência, a esperança e o conforto, em particular dos livros. Por isso, sim, é um livro belíssimo, poderoso também, onde os livros ganham um papel central, como pilar para fugir à tragédia humana.
Nabil só conheceu o bem através dos livros. A sua vida foi uma luta constante para adiar a morte, em terras palestinianas. Perdeu tudo, menos a esperança nos livros.
Não tenho muito mais palavras para escrever. Reforço apenas o belíssimo. Se puderem ler um livro este ano, este é uma escolha prioritária. Leiam e reflitam sobre ele antes de o voltarem a colocar na estante.
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“Em última análise, este livro não pretende convencer os leitores de que a União Europeia é boa ou má. Procura, antes, demonstrar que a União Europeia e a sua história são de tal modo relevantes que merecem uma análise cuidadosa”. Está é uma frase que pode ser lida logo no prefácio desta “História Concisa da União Europeia” e que resume bem o leitor vai encontrar 200 páginas que o esperam.
O autor, Kiran Klaus Patel faz uma análise muito objetiva da história da construção europeia, focando os seus pontos fortes e as suas fraquezas, mas sem deixar de dar primazia aos primeiros, porque é inegável que apenas chegámos onde estamos hoje porque a história é mais boa do que má, embora nem sempre existe a capacidade (e até a honestidade) de o assumir.
Num período em que muitos parecem querer atirar a Europa para o caixote do lixo da História, este livro vem relembrar o sucesso do projeto europeu e seu potencial de futuro. Excelente livro sobre uma história de que todos beneficiamos.
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Há algum tempo que não lia um livro que se tivesse tornado uma tão agradável surpresa.
O título já apontava para a curiosidade, a premissa da capa mais ainda (“o que a inteligência animal revela sobre a estupidez humana”), mas no final todo o livro é foi uma agradável surpresa e uma leitura cheia de conteúdo e interesse.
Aprendi muito sobre os animais na sua comparação com os humanos e confirmei algo que já tinha lido noutros livros, se há alguma coisa mal na natureza não são os animais nem as plantas, são os seres humanos. O autor abordar este tema em diversos ângulos e utilizando múltiplos exemplos. Registo esta frase “As nossas muitas conquistas intelectuais estão atualmente a caminho de causar a nossa própria extinção, que é exatamente a maneira que a evolução inventou para se livrar das adaptações que não funcionam.”
No final, muito provavelmente um dos pontos que mais me liga a este livro é a descrença que partilho com o autor em relação ao Homem, e que o autor tão bem demonstra no livro. Belíssima leitura a todos os níveis. Enorme recomendação.
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É sempre um dos meus objetivos de leitura do ano, ler a nova aventura de Gabriel Allon. O ex-espião israelita fez um trajeto cheio de derivações ao longo dos últimos 25 anos, e hoje, em vez das missões ao serviço do estado de Israel as tramas centram-se no mundo da arte.
Daniel Silva teve de adaptar e adaptar a sua personagem a novos tempos, mas nem por isso as suas histórias perderam qualidade. São mundos diferentes, mas sempre muito bem explorados pelo autor.
Neste último livro, “A Obra-Prima” Gabriel Allon andas às voltas com um novo quadro de Leonardo Da Vinci que dá origem a várias mortes. E mais não digo, a não ser que, correndo o risco de me repetir, que vale muito a pena ler.
A quem desse lado nunca leu um livro de Daniel Silva, fica o contive com força de forte recomendação. Podem começar por este e depois vão ao início e façam o percurso de Gabriel Allon. Vale muito a pena. Só tenho pena de ter de ficar à espera de novos livros!
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Estava em cima de uma das secretárias cá de casa e peguei-lhe por mero acaso. Não sei se foi pela fotografia da capa, onde está uma menina sentada a brincar na areia como os meus filhos gostam de fazer, se foi porque gosto destes livros pequenos, de pegar e manusear o objeto.
Li a primeira página e achei que poderia gostar. Tenho interesse genuíno em compreender a parentalidade pela perspetiva do pai. Não tanto para compreender o pai dos meus filhos, porque com esse falo bastante sobre o tema e compreendo-o lindamente; mas talvez para compreender o meu próprio pai que teve muitas dificuldades em cumprir o seu papel apesar de ter estado sempre presente.
Pareceu-me assim uma boa leitura e da primeira página deixei-me levar para as restantes. Ainda bem que o fiz.
Ao longo do livro conhecemos vários pais: de filhos planeados, de filhos imprevistos, mais velhos, mais novos, pais de duas viagens e até mães que passaram a ser pais. É-nos apresentada a perspetiva da chegada e do cuidado de um filho pelos olhos de quem fazendo tanta parte da sua conceção como a mãe, está à margem da construção daquele ser até ao momento em que respira e já pede cuidados.
É um amor que mora na expectativa, na imaginação, até que um dia, como uma luz, ganha vida e aparece de rompante para tomar conta de tudo.
O papel do pai ainda tem muito para crescer na sociedade em que vivemos, estando sempre na sombra em relação à mãe e apresentando-se como secundário o que, para quem quer estar longe, facilita, mas para aqueles que querem ser pais com pê grande, é um grande empecilho.
Um exemplo prático disso é a forma como são vividas as partilhas de custódia em caso de divorcio. Como se não bastasse o custo, para todas as partes, da quebra familiar, existe ainda um julgamento social constante que obriga a mãe a ser mais e espera que sempre menos do pai.
Todas as pontas deste livro estão entrelaçadas como malha.
Aconselho vivamente a leitura e agradeço ao Frederico, pela oferta desta perspetiva que me permitiu pensar e repensar por outros ângulos este papel tão importante na vida de cada um de nós (sejamos pais, mães ou filhos).
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Sendo eu uma moça pouco dada a sinopses (para isso vai-se ao site da editora ou dá-se uma vista de olhos na contracapa) e a elaborações linguísticas profundas e densas sobre a leitura, gosto de me focar no poucochinho que ficou para mim daquilo que li.
A escrita é maravilhosa: franca, clara, crua, sem peneiras ou medos do que tem para oferecer. Adorei que no prólogo tenha desde logo esclarecido que não fez correções aos textos iniciais. Achei o texto O meu ofício particularmente refrescante. Neste escreve sobre ser escritora, mesmo que a escrita possa não ter sido sempre o seu meio de sustento. Fez-me lembrar, por uma qualquer razão, o Manual para mulheres de limpeza da Lucia Berlin. Elabora sobre a importância de ter uma paixão, algo a que nos agarrar que é só nosso e que em nada depende do amor alheio. Revi-me aqui. Quis que as palavras tivessem sido minhas.
Dos restantes textos, encantei-me por As relações humanas, provavelmente o meu favorito; e ainda estou a amadurecer a sua perspectiva de educação de As pequenas virtudes. Dá que pensar, porque coincidimos em algumas ideias, não estou certa de que noutras e há um ângulo que eu ainda não tinha considerado. É tramado que a forma como vemos e lidamos com o dinheiro possa dizer tanto de como nos conduzimos na vida.
Contenho-me para não usar a palavra “interessante”.
Quanto ao Léxico Familiar, está encomendado. Deve chegar por estes dias.
Entretanto comecei a ler Tudo na natureza apenas continua, de Yiyun Li. Depois de dois capítulos ainda não sei o que pensar, sei apenas que a escrita me envolve suficientemente para que saiba que chegarei ao fim.
O texto O meu ofício, começa assim:
O meu ofício é o de escrever e eu sei-o bem e há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: sobre o valor do que posso escrever nada sei. Sei que escrever é o meu ofício.
Não é maravilhoso?