
Mais sobre o livro aqui
Normalmente quando termino o último paragrafo de um livro já tenho formulada a minha apreciação geral sobre o mesmo, por vezes até bem antes disso. Não foi o caso com este “A Biblioteca da Meia-Noite” de Matt Haig. Neste caso senti a necessidade de mastigar um pouco o que li antes de formular a minha opinião.
Antes de mais é preciso dizer que, com tudo o que tinha lido, a expetativa era elevada, bastante elevada. Para todos os efeitos foi o livro de ficção de 2020 na escolha dos leitores do Goodreads Choice Awards e depois disso já tinha lido, de leitores portugueses, várias críticas muitas boas desde a publicação em português.
Em resultado do referi anteriormente, é possível que, mais uma vez, tenha criado uma expetativa demasiado elevada, ou errada, à cerca do livro, apesar de que, é preciso dizê-lo, o livro tem efetivamente muita qualidade. Que não fiquem dúvidas sobre isso.
A história tem um ponto de partida extremamente original, a ideia de que alguém, Nora, no caso, quando entre a vida e a morte pode aceder a um local, uma biblioteca, onde tem livros infinitos sobre variações da sua vida que poderá experimentar até encontrar a “vida perfeita”.
A escrita do autor não é sublime, é de qualidade com muitos traços de normalidade, a construção da história não tem reviravoltas nem “gatos escondidos”, e as personagens são, por assim dizer, banais.
O (a) leitor(a) deste post pode pensar que o que acabei de escrever no parágrafo anterior é uma crítica negativa, no entanto não é, e é aqui que entra a parte mastigar um pouco o que li. O livro não é uma fantasia sobrenatural, é antes uma mensagem que o autor passa através da forma “normal” como nos conta a história, aproximando-a dos mortais, dos sentimentos das pessoas reais no dia a dia, que muitas vezes deambulam entre o desespero, a procura da felicidade, a ausência de autoestima, e não valorização das pequenas coisas.
O que Matt Haig nos dá, se quisermos de forma brilhante, neste livro é uma oportunidade de reflexão sobre as nossas vidas, a que vivemos e todas as que podíamos ter vivido, mas com uma nota de importância e de alguma esperança para a possibilidade de fazermos sempre algo de diferente que nos tire da amargura dos piores dias. Desse ponto de vista acho que é um livro 5 estrelas, e se assim analisado, não desilude.
Não vou adiantar muito mais assunto sobre o livro, Tudo o que posso dizer é leiam, acompanhem Nora Seed, façam a viagem com ela, calcem os sapatos dela, e tirem as vossas conclusões. Diria que não se vão arrepender.