
Falar de livros com quem não lê, mas não assume. Felizmente não é algo que me aconteça com muita recorrência, mas, a espaços, ocorrem alguns episódios, normalmente de dois tipos diferentes: com pessoas que ocupam cargos hierárquicos superiores nos locais em que trabalham e que ficam imbuídas de uma espécie de conhecimento por inerência à função, ou com pessoas que fazem tudo para que não se perceba que não leem.
Na minha modesta opinião, nos últimos tempos, embora (infelizmente) não aumente muito o número de leitores, aumentou o número de pessoas que não gostam de passar a ideia que não leem porque de alguma forma pode passar uma imagem errada. Não é muito politicamente correto assumir que a leitura não faz parte do dia a dia, pelo menos para algumas pessoas e em determinados contextos, por isso há que tentar fazer passar a ideia contrária.
Mais recentemente tive dois episódios que enquadram os dois tipos de pessoas que indico acima.
No primeiro caso, num contexto de debate de ideias com alguém que ocupa um lugar com alguma importância numa empresa, depois de ouvir uma citação sobre liderança, daquelas que toda a gente decora, e que teria sido proferida por um “guru da gestão” num livro importante, pedi à pessoa que me traduzisse o que pretendia a mesma dizer e se teria lido o contexto em que a mesma fora proferida. A frase não era do meu conhecimento, mas o autor sim, até porque já li alguma coisa do mesmo. A pessoa em causa enrolou o tema, sem dar uma resposta, referindo que não me queria maçar com o tema (dando a entender que seria chato para alguém como eu...). Ficou claro que a frase tinha sido ouvida de alguém, ou lida avulsa algures, mas a pessoa não conhecia verdadeiramente quem a tinha proferido, onde e porquê. Fiz questão de dar a entender que tinha percebido a situação e não pude deixar de referir sarcasticamente que teria todo o gosto em dar-lhe o nome do livro onde talvez a frase até estivesse escrita...
No outro caso foi numa conversa de circunstância em que alguém quis fazer-se passar por alguém esperto do que os outros ao apresentar uma ideia que alegadamente tinha lido num livro inspirador. O livro, percebi, seria “Comece pelo porquê” de Simon Sinek, embora a pessoa não o tenha referido, e a ideia estava a ser apresentada de forma errada, mas muito convictamente. Ouvi, e, no final, alertei que a ideia que estava a ser apresentada não era o que o autor defendia. A pessoa não reagiu muito bem dizendo que estava certo do que dizia. Perguntei quando tinha lido o livro, e disse o nome do livro e do autor. Referi que tinha lido recente e que sabia que não estava correto. Insisti sobre quando tinha lido o livro e às tantas ficou claro que não tinha lido nada. Fez força para mudar de assunto, mas ficou claro que ouviu a ideia algures, percebeu-a mal, não leu o livro, mas andava a tentar passar a mesma fazendo-se passar por muito entendido.
A moral comum a estas duas histórias é duplamente negativa: por um lado as pessoas assumem para si conhecimento que na prática não existe porque não baseiam na leitura real, e pior ainda, por outro lado, assumem à partida que todas as pessoas são como elas e não concebem a possibilidade de se depararem com alguém com conhecimento real dos livros. É triste.
Entendo o que queres dizer por dois motivos: o primeiro é que eu antigamente lia muito e, agora, com esta questão da pandemia e da biblioteca da minha vila ter regras bastante rigorosas, deixei de ler, pois não tenho dinheiro para gastar em livros, pois os livros são muito caros. O segundo motivo é que eu já li muitos e muitos livros, no entanto, passado uns dias já não me lembro daquilo que li, ou seja, não tenho memória suficiente para fixar as histórias dos livros, contudo, se for ler outra vez, parece que já tinha lido, enfim, não consigo compreender e explicar isto muito bem, mas são estes os meus dois motivos que me fazem entender o que queres dizer com esta tua publicação.
ResponderEliminarEspero que as coisas melhorem.
EliminarDeixo uma sugestão de leitura gratuita online: 52 títulos (clássicos) disponibilizados pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Link: https://gulbenkian.pt/publicacoes/
Eu também desejo que as coisas melhorem rapidamente, pois eu gostava e ainda gosto muito de ler, contudo, o site da minha biblioteca, eu bem tento entrar lá para ver os livros disponíveis mas cada vez que tento, o site dá-me sempre erro, não entendo o motivo. Quanto à tua sugestão, eu agradeço-te mas eu não gosto de ler online, venho muitas poucas vezes ao computador, prefiro ler mesmo os livros nas minhas próprias mãos. Muitos beijinhos e boas leituras para ti.
EliminarCompreendo. Tudo a correr bem!
EliminarMuito obrigada,
EliminarDesejo o mesmo para ti,