
Já quase me tinha esquecido, mas este fim de semana fui resgatar da memória um episódio que presenciei há cerca de duas semanas. História verídica.
Na minha pausa de almoço sentei-me a beber o meu café numa mesa no Centro Colombo. A uma mesa de distância estava um grupo de 6 jovens com idades, diria entre os 17 e 20, não consigo precisar, 6 no total, 2 raparigas e 4 rapazes, respeitando q.b. o distanciamento social.
A conversa andou à volta de vários temas, muita galhofada, e às páginas tantas um dos rapazes terá feito um comentário sobre um livro que estaria em cima da mesa (não cheguei a perceber qual era o livro. A rapariga que o trazia respondeu que estava a lê-lo porque era o livro do mês num Clube de Leitura.
Rizada geral em entre os rapazes e um disse “Clube de quê?... Isso ainda existe? Pensava que só havia disso nos lares dos velhinhos... Tristeza...”
Não consegui ver a cara a rapariga porque ela estava de costas para mim, mas consegui vê-la a colocar-se direita e ouvir (eu a todas as mesas próximas) em alto e bom som o seguinte:
“Ainda há, sim. E atualmente são muito inclusivos, qualquer pessoa pode participar. Por exemplo eu posso ir porque gosto de ler e de aprender, mas vocês também podem. A cada meia hora, as pessoas que gostam de ler fazem uma pausa de falar sobre livros e pessoas como vocês podem beber uma cerveja e arrotar durante 5 minutos. Assim cada um participa com o sabe fazer melhor! É por isso que vais ser burro toda a vida!” A rapariga levantou-se e saiu enquanto o resto do grupo ficou em silêncio
Tive vontade de aplaudir fisicamente, mas fi-lo mentalmente durante vários minutos. Só conseguia pensar: “Miúda, bem-vinda ao mundo dos livros e dos seres humanos decentes, que falta fazem pessoas como tu!”
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