
Em março deste ano li o tive oportunidade de registar aqui dois comentários (aqui e aqui) sobre o livro "Desperdício Alimentar" de Iva Pires.
O motivo pelo qual volto agora ao tema do livro prende-se com o meu período de férias grandes e mais concretamente com a permanência de alguns dias num hotel.
Para mim os hotéis sempre foram um dos piores exemplos de desperdício alimentar, nomeadamente os que tem sistema de buffet: rios de comida que os clientes sem qualquer consciência levam para as mesas para depois não consumirem e que, naturalmente, acabam no lixo. Ainda no ano passado, embora em menor escala do que em anos anteriores, assisti a esta situação.
Sucede que este ano as coisas foram diferentes. Porquê? Infelizmente não devido a uma alteração de mentalidades, mas sim por uma imposição da pandemia. Com a pandemia os hotéis com sistema de buffet tiveram de se adaptar para cumprir as regras sanitárias da nova realidade. Acabou-se a lógica de cada cliente mexer e tirar a comida que queria e servir-se à vontade, para uma lógica de buffet assistido, com funcionários a servirem individualmente os clientes, e de mini doses pré-preparadas de tudo um pouco, desde o queijo e fiambre do pequeno almoço até as sobremesas do almoço e jantar.
Em resultado desta nova realidade, as pessoas, acredito que por vergonha, porque é um terceiro a servir o prato e não elas a enchê-lo, acabam por levar doses mais próximo das suas necessidades e não em exagero. Seja da Carne de Porco à Pescador do jantar, seja dos croissants do pequeno almoço e, na prática, o que pude observar foi um muito menor desperdício.
Acredito que a pandemia ajudou os hotéis a gerir melhor os seus recursos na alimentação dos seus clientes e ao mesmo tempo permitiu reduzir bastante o desperdício alimentar. O motivo pode não ser bom, provavelmente não leram o livro, mas o resultado é positivo.
Para quem está desse lado, volto a recomendar a leitura do livro. Mais informação aqui.
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