
Já estou a chegar tarde a este tema, mas sinto que não posso deixar de registar uma nota sobre isto.
Falo da onda de alterações e correções que se pretendem efetuar em obras de diversos autores, desde Enid Blyton, passando por Ian Fleming e Enid Blytin, e mais recentemente Agatha Christie.
Às vezes parece que estou a ler um livro qualquer futurista onde alguém decidiu andar a reescrever livros do passado. Parece-me uma boa ideia para uma distopia e um péssimo presságio para sociedade em que vivemos. É extramente difícil falar sobre isto de tão absurdo que é.
Justificar alterações a obras escritas por autores com base na adequação aos “padrões de sensibilidade” atuais é qualquer coisa de profundamente estupido, mas também perigoso. Juro que não entendo e cada vez menos me revejo no caminho que a nossa sociedade está a tomar e lutarei com todas as minhas forças para que os meus filhos não sejam parte deste mundo de melindre, de parecer bem e sei lá que mais que retira as pessoas da realidade por preguiça de pensar, interpretar e contextualizar.
Felizmente por cá, o Grupo Leya que edita Agatha Christie mas também, mas também Dahl e Blyton, referiu que não irá fazer qualquer tipo de alteração. Ainda bem e, perdoem-me, a única posição possível sobre o tema.
Ainda dentro da mesma linha de “sensibilidades” soube-se a semana passada que uma editora americana recusou traduzir os livros de Afonso Reis Cabral porque falam sobre temas de grande sensibilidade que podiam ser mal recebidos pelo público e porque supostamente o autor não poderá escrever sobre alguém que é trans… sem comentários.
Não tenho por hábito partilhar indignações neste espaço dedicado aos livros, mas não posso deixar de o fazer quando a estupidez atroz os começa a atingir.
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