quarta-feira, 10 de maio de 2023

Leitura - "Não Faças Mal" de Henry Marsh

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Mais sobre o livro aqui


Lamentavelmente não fui abençoada com a feliz ignorância da fé. Lamentavelmente porque me pareceu sempre que aqueles que a têm vivem mais descansados, porventura agarrados à esperança de que não estejamos apenas destinados a esta pequena passagem.


Sou da ciência e com ela acredito que a vida começa e acaba numa inexplicada sucessão de acontecimentos em que as celulas são as personagens principais.


Talvez seja por isso que os médicos e enfermeiros sempre foram as únicas figuras a quem reconheço um qualquer estatuto perto do divino. Afinal de contas, perante a aflição de um mal maior é para eles que olhamos, reduzidos à súplica de quem quer ser salvo.


Passei os últimos dias a ler este livro nos meus bocadinhos livres. E acho que o mundo o devia ler. Lembra-nos o quão pequenos, insignificantes, falíveis e olvidáveis todos somos. Mostra-nos, neste tempo em que todos se dedicam tanto a enaltecer as suas vitórias, o quão importante é que nos recordemos dos nossos fracassos e os mantenhamos connosco, para que os pés se mantenham firmes no chão. Mostra-nos que não podemos deixar de fazer bem porque falhámos, mas que devemos a nós e aos outros o rigor de procurar fazer sempre o nosso melhor.


Na soma de tudo o que demais nos demostra, deixa claro aquilo que está mesmo à nossa frente: a vida, gostemos ou não, é feita de sorte e das escolhas que fazemos com as opções que temos ao nosso dispor. 


Que sejamos sempre capazes de escolher o bem.

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