quarta-feira, 3 de maio de 2023

Leitura - "Ainda Bem que a Minha Mãe Morreu" de Jennette McCurdy

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Aceitarmos o que somos, quem somos, o nosso papel neste mundo, os nossos limites, o que nos acontece e o que esperam de nós já é difícil quanto baste quando aqueles que nos devem amar acima de tudo são um porto de abrigo, um lugar de conforto, uma âncora a que nos podemos agarrar e todos os demais lugares comuns que possamos usar para descrever: suficientemente bons da cabeça para não nos estragar mais do que a vida já estraga. Mas a vida pode tornar-se num lugar ainda mais complexo quando aqueles que deveriam cuidar de nós, colocando-nos em primeiro lugar, aceitando o que somos, são chanfrados da mona e vivem numa qualquer distopia narcisista onde procuram ser o sol na vida daqueles que trazem ao mundo.
Comprei este livro por causa do titulo sugestivo. É preciso berlindes de aço para dizer uma frase destas em alta voz. Depois, quando li a sinopse percebi que a autora teria de espatifar-se muito na escrita para que eu não ficasse pelo menos muito interessada no que ela tinha para contar.
Não me desiludiu. A escrita é escorreita, honesta e clara. Não se esconde atrás de figuras de estilo e de floreados, conta as coisas como elas aconteceram, sendo justa - assim acredito - com a realidade dos factos.
Como cereja no topo do bolo aponto o sentido de humor (para mim tão importante), o sarcasmo com que nos brinda relatando episódios que poderiam ser facilmente usados para melodrama e procura de piedade alheia. É refrescante esta abordagem, especialmente neste era em que toda a gente sabe que ser uma boa vitima é o caminho mais rápido para ter a atenção de toda a gente.
Adorei este livro, não me canso de o recomendar.

Nota: o livro tem várias gralhas, não erros, mas palavras a mais, repetidas ou a menos.

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