
Pouco depois do início do confinamento, na impossibilidade de ir às livrarias, começaram a aumentar as encomendas de livros recebidas cá em casa.
Numa dessas encomendas o elemento mais pequeno desta família presenciou a receção a abertura da mesma.
- Pai, o que vem aí?
- São dois livros filhote – respondi.
- Dois? Para quem? – questionou
- É um para o pai e outra que a mãe pediu – retorqui eu.
- E para mim não compraste nenhum? –perguntou com ar indignado.
- Desta vez não filhote... não calhou... – disse eu com o coração apertado.
- Se toda a gente gosta de livros cá em casa devia haver livros para os três! – finalizou o petiz.
- Tens toda a razão, filho, toda a razão, mesmo!
Dito isto, perto da hora de almoço foi necessário ir comprar alguma coisa ao supermercado e no meio dos viveres veio também uma história nova que foi lida com satisfação nesse dia à noite.
A questão foi ultrapassada, mas a mensagem foi recebida. A partir desse dia a regra passou a ser: se encomendamos livros, tem de haver livros para todos.
Bebi a lição: a bica curta soube-me melhor!
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