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Sinopse:
Num livro de esplêndida erudição literária e filosófica, Isaiah Berlin usa esta parábola animal para dividir a humanidade, de forma espirituosa, em ouriços e raposas. Classificação simples na aparência, mas que confronta dois modos existenciais de enfrentar a realidade.
As raposas julgam saber muitas coisas, aceitando, por isso, uma visão global do mundo que as ultrapassa. A sua pluralidade de saberes leva-as a reconciliarem-se com os limites do que sabem, vivendo felizes com isso.
Os ouriços, pelo contrário, querem saber uma grande coisa, procurando obsessivamente que essa grande coisa dê uma unidade formal à realidade, única forma de se reconciliarem com o mundo. As suas vidas podem, por essa razão, ser menos felizes.
Feliz, e delicioso, é este ensaio que flui, como um rio, distribuindo pelas suas margens os ouriços que são Dante, Pascal, Ibsen ou Marcel Proust e as raposas que terão sido Shakespeare, Heródoto, Aristóteles, Montaigne, Goethe ou James Joyce.
A distinção entre a raposa pluralista e o ouriço obstinado converteu-se num padrão da nossa análise cultural, fazendo deste livro um marco de prazer e de saber, que perdura.
«A raposa sabe muitas coisas, mas o ouriço sabe uma coisa muito importante.»

Parece um pouco redutor, focar a complexidade do mundo de maneira dual. Certo é que o muito conhecimento de uns e a coisa importante que outros sabem, são partículas ínfimas de um conhecimento sempre incompleto. Torna-se assim perigoso fechar a porta a quem não se revê nessa dualidade. Gosto de pensar que nada é eterno, que tudo é fruto de convenções no tempo, ninguém sabe tudo por mais de uma geração.
ResponderEliminarO seu comentário decorre da leitura do livro ou apenas da sinopse?
EliminarEvidentemente, parto do princípio que quem elabora a sinopse faz uma boa leitura do livro e, como não tenho a intensão de ler todos os livros do mundo, foco-me na sinopse para elaborar um parecer e decidir se compro ou não. Note que, neste sentido, o meu comentário interfere na ideia subjacente na sinopse e o livro, dependendo da atractividade impressa na sinopse, passa para segundo plano. Daí que há que ter algum cuidado na apresentação do livro.
EliminarNão sendo claro para mim se o seu comentário se cingia à sinopse, ou ao próprio livro, questionei por efetiva curiosidade. Trata-se de um livro com muitos anos (1953), pelo que, o seu comentário poderia ser em resultado da leitura do mesmo.
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