
Foi uma das notícias do final da semana passada: “Venda de livros caiu 65,8%” na semana de 16 a 22 de março, ou seja, uma quebra superior a 2/3 face ao mesmo período de 2019, sendo que nas livrarias e espaços similares a redução atingiu os 73% (40% nos hipermercados). Estes valores são da semana anterior à declaração do Estado de Emergência, pelo que, na semana seguinte o cenário será ainda pior.
Os primeiros afetados com este cenário serão naturalmente as livrarias e as pequenas editoras, e se não existirem medidas muitas podem fechar e abrir falência. Mas para além destes existem múltiplas atividades e profissionais que estão ligados à atividade livreira, como as gráficas, os tradutores, etc.
Sendo este um blog dedicado aos livros, não posso deixar de fazer referência a estes números, mais com preocupação do que com surpresa.
Em tempos de vacas mais ou menos gordas, como os que vivíamos até há pouco mais de 3 meses atrás, o mercado do livro já é o que é, pequeno, porque poucos são os que leem, e, logo, poucos os que compram livros.
Apesar das afirmações que colocam o livro como um bem de primeira necessidade, poucos em Portugal veem o livro como tal. O livro é visto como um bem supérfluo, ou de luxo, pelo que, em contexto de crise, é o primeiro a ir, muito à frente de bens com, por exemplo (e não querendo fazer juízos de valor, mas já fazendo) o tabaco, ou do jogo.
Nesta fase penso que mais do que tentar cativar novos leitores, o apelo passa por pedir aos leitores efetivos que, podendo (porque há quem não possa e é preciso respeitar isso), não deixem de comprar livros, sejam físicos ou ebooks. Não é necessário deslocarem-se a nenhum local físico, comprem online, seja nos espaços maiores seja através das livrarias independentes (em relação a estas podem encontrar mais informação aqui). É uma forma de ajudar este negócio. Todos precisam é verdade, mas este também, e neste espaço o livro tem lugar de destaque.
Da minha parte, e porque neste momento posso, comprei nas últimas duas semanas, vários livros para todos os elementos cá de casa, estando ainda alguns por chegar. Não posso ajudar todos, ajudo quem posso.
Moral da história: Se puderem ajudem. Comprem um livro.
Importante post.
ResponderEliminarCumprts de:
nos tempos livres - ler é o melhor remédio
https://lereomelhorremedio.blogs.sapo.pt/
Obrigado.
EliminarInfelizmente, acho que o setor vai ser dos mais afetados. Podemos ver a coisa pela prioridade em tempo de escassez, mas também dá jeito usar essa desculpa em muitos casos. O mercado nunca foi genuinamente intenso em termos de vendas. Resta esperar que não desapareça e claro, também acho: comprar um livro pode ajudar. Muito.
ResponderEliminarÉ um facto, e também por isso mesmo será dos que vai levar mais pancada. Façamos o que estiver ao nosso alcance!
EliminarConcordo em absoluto com o que escreveu. Eu que sempre comprei mais livros do que aqueles que era capaz de ler, tenho agora muitos livros a que me agarrar. Acredito que este tempo de recolhimento leve muitos jovens a descobrir lá na estantes livros dos pais que nunca tenham lido nem olhado para eles. Quero ser positiva e acreditar que este confinamento seja o início de uma sementeira. Boa semana.
ResponderEliminarVamos acreditar que sim, mas tenho ideia que os mais de 150 canais disponíveis e a Netflix não deixam grande margem. Espero, honestamente, estar profundamente enganado.
EliminarPois, se calhar estou noutro mundo. Vejo pouquíssimo televisão, pouquíssimo mesmo, nem sei o que é isso da Netflix apesar de ouvir falar muito das maravilhas da mesma! E os tais 150 canais de cabo não me dizem nada. Os meus interesses são outros.
EliminarTenho a minha consciencia tranquila: sou leitor; influencio os meus familiares e amigos a lerem; criei um blog para falar de "hábitos de leitura" ; faço o que posso e sei.
ResponderEliminarCumprts de:
nos tempos livres - ler é o melhor remédio
https://lereomelhorremedio.blogs.sapo.pt/
Concordo em absoluto, Nuno!
ResponderEliminarAproveito para partilhar aqui o site da Rede de Livrarias Independentes que descobri no blog da Cristina.
https://www.reli.pt/
Muito obrigado!
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