
O post de hoje não era para ser sobre este tema, mas não consegui evitar.
Ontem, Dia Mundial do Livro, tive a sensação de viver num mundo diferente: fui inundado (no bom sentido, diga-se) por frases, imagens, notas, campanhas, slogans e todo um mundo dedicado aos livros. Soube-me bem, confesso. É um tipo de mundo que aprecio.
Verdade seja dita que a esmagadora maioria de tudo isto chegou-me por via do Instagram do Ministério dos Livros, onde, naturalmente tudo gira muito à volta dos livros. Mas a verdade é que parecia que o mundo se tinha tornado adorador de livros e que, de repente, toda a gente estava a ler.
O que custa depois é regresso à realidade: a venda de livros com a pior queda de sempre num curto espaço de tempo devido à pandemia e o facto de continuarmos a ser um país que não lê. O mundo dos livros é um mundo pequeno e fechado de algumas editoras e livreiros para alguns leitores. Um abanão e o castelo de cartas tem tendência a ruir.
Gostava de acreditar, e tenho feito por isso, que este período de confinamento trouxe uma mentalidade mais aberta ao livro, que gerou muitos leitores, mas palavra de honra que tenho muitas dúvidas. Acho que quem lia, continuou a ler, ou talvez tenha lido mais, mas quem não lia continuou a não ler. Se calhar estou a ser muito negativo e derrotista, mas é o que sinto.
Assim, e para terminar numa nota mais positiva, acredito que o dia de ontem serviu pelo menos para reduzir um pouco as perdas de muitas editoras e distribuidoras, com as campanhas que foram lançadas, penso que pode ter ajudado alguma coisa. Eu acho que fiz a minha parte, comprei alguma coisa, assim como tenho vindo a comprar (porque felizmente posso) desde o início da pandemia.
Tenho vontade de pedir que o Dia Mundial do Livro fosse como o Natal, quando o homem quiser...
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