
Em mais de dois anos e meio de blog, este é provavelmente o primeiro post que não é, na sua essência, sobre livros. É sobre pessoas.
Por razões familiares onde foi um dia difícil. Foi um dia onde, no contexto que vivemos, tive de ir com alguém muito próximo de urgência para o hospital, ainda que por motivos nada relacionados com Covid.
Não gosto de hospitais, aliás, em total honestidade, detesto hospitais. Metem-me medo, assustam-me muito.
O ambiente que encontrei foi, aquele que se vê na televisão, mas ao vivo. Depois de tantos dias em casa, ver ao vivo o cenário de pandemia, ou de preparação para os efeitos pandemia, é como sair de um filme e entrar na vida real.
Não tenho qualquer tipo de conhecimento efetivo sobre o tema, mas aquilo que observei foi, organização, cuidado, precaução e atenção. Não estava ali por causa do Covid, mas senti uma estranha sensação de segurança, apesar de saber que se há local em que ficamos expostos a tudo e mais alguma coisa é num hospital.
Todos, literalmente todos os profissionais de saúde e auxiliares com quem falei foram de uma simpatia, profissionalismo e humanidade exemplares. Enquanto esperava não pude deixar de materializar uma ideia antiga: aquelas pessoas, mais concretamente os médios, deviam ser as mais bem pagas do mundo, pelo simples facto que garantem a todo o custo que nós não perdemos aquela “coisa” relativamente importante que se chama... vida.
Aquelas pessoas trabalham num ambiente de permanente limbo. Basicamente não podem cometer erros, e nem sequer estou a pensar no cenário de Covid. São pessoas expostas a um nível de risco extremo, que tem famílias, filhos pequenos, e ali estão, todos os dias.
Eu sei que é possível saber tudo isto porque nos entra pelas televisões todos os dias, mas in loco, a coisa ganha outra dimensão. Por isso, embora este post não valha nada, fica o meu profundo agradecimento a todos os profissionais de saúde, aos que hoje ajudaram a que uma situação muito complicada em princípio se tenha tornado mais simples, e a todos os que repetem essa mesta atitude no contexto que vivemos atualmente.
O único momento em que este post teve a ver com livros foi quando a médica que me veio dar informações do meu familiar, ao ver a minha cara de preocupação, tentou descontrair o ambiente, e, apontado para o livro que levava comigo (pensei que iria ficar muito tempo em espera), perguntou se estava a gostar.
O livro era “Terra Americana” e a minha resposta foi: Sim estou, mas não lhe recomendo a leitura. Acredito que a sua vida diária já tenha drama suficiente.
Foi bom saber que a tua experiência correu bem (em todos os sentidos) porque uma das coisas que mais me arrepia, é ter de ir parar ao hospital com uma urgência qualquer e sentir o caos. Creio que se podemos lá ir com condicoes será graças ao civismo que adoptamos. Parabéns a nós, e um grande obrigada ao pessoal de saúde.
ResponderEliminarApesar de tudo, acho que por vezes não valorizamos aquilo que se faz bem / bom neste país.
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