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Entre livros, reportagens e notícias perdi a conta a tudo o que li sobre Putin no último ano, no entanto, apesar de já estar um pouco enjoado do tema, fiquei curioso quando descobri este “Temos de Falar Sobre Putin”.
Desde logo é preciso referir que o livro foi escrito em 2019, muito antes da invasão da Ucrânia e por isso não é literatura pós fevereiro de 2022. O autor, Mark Galeotti, um especialista em temas relacionados com a Rússica, oferece-nos um retrato de um Putin que não é movido por dinheiro, que não tem uma ideologia concreta e coreografa tudo o que faz e que de alguma forma vive alheado do mundo real porque os que lhe são próximos apenas de mostram o que ele quer ver e não a realidade, por medo de serem colocados de parte e perderem poder e dinheiro.
Putin é ainda apresentado como alguém que pode ser um controlador e ao mesmo tempo um produto da máquina que o rodeia e influencia (o autor apresenta o exemplo de como Putin foi “guiado” até à apresentação de candidatura para os Jogos Olímpicos de inverno).
Nas palavras do autor Putin acredita que a Rússia deve ser considerada uma grande potência... simplesmente porque é a Rússia e procura fazer valer esta ideia fazendo-se falar de falsas ideias e um desconhecimento da realidade. No final do livro o autor apresenta um pequeno capitulo escrito já depois da invasão da Ucrânia e reafirma que Putin enveredou por um caminho com total falta de perceção da realidade e convencido de um desfecho tranquilo e rápido.
A mim enquanto leitor o que me preocupa é a ideia que este livro vem reforçar de que Putin é uma espécie de meio-louco, perigoso, mal aconselhado e imprevisível. Tudo o que não queremos num líder com um gigantesco arsenal nuclear.
“Temos de Falar Sobre Putin” revelou-se uma excelente leitura, objetiva, despretensiosa, informada clarificadora e credível. Um excelente complemento e um descodificador de muita coisa que fui lendo nos últimos tempos. Recomendo.

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