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Sinopse:
Por vezes acontece cruzar-me com um livro que, não sendo exatamente o meu género de leituras habitual, desperta o meu interesse e acaba por se revelar uma agradável surpresa. Foi precisamente o caso desde “Talvez Devesses Falar com Alguém” de Lori Gottlieb.
Trata-se de um livro descomplexado, direto, divertido, com relatos na primeira pessoa enquanto terapeuta e paciente, e apresentando-nos também outras realidades por via das experiências com os seus pacientes. O leitor tem oportunidade de circular por entre relatos de dor, trauma, perda, separação, entre outros, com passagens e lições de psicologia pelo meio, mas sempre com muita clareza e sinceridade, mesmo no que se refere aos problemas da própria autora.
Para além do que referi acima, eu vi o livro também numa perspetiva de aprendizagem. Acho que percebi finalmente o que pode levar alguém a um terapeuta, o que pode levar alguém a desistir e que os resultados obtidos com a terapia podem ser um terreno pantanoso.
Em resumo, a leitura deste livro foi uma experiência altamente enriquecedora. Ajudou-me a formar uma melhor opinião sobre o que o que pode ser a terapia e sobre todos os problemas que a ela podem conduzir. Fico com a ideia de que, se pensarmos bem, todos, em algum momento das nossas vidas devíamos fazer terapia. Excelente leitura. Agradável e gratificante.
Uma nota final de não concordância com a área temática em que este livro esta enquadrado, “Autoajuda”. Já aqui critiquei no passado o “saco” gigante que parece ser a autoajuda onde parece caber tudo. Na minha opinião, e como acontece com muitos outros títulos, este é um livro que se encaixa na área de memórias e testemunhos e não de autoajuda.

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