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“A Civilização do Peixe-Vermelho” é um exemplo de um pequeno grande livro. Pequeno no tamanho, grande do alerta e mensagem que passa.
Acredito que nos dias que correm muitos de nós tem a consciência do (muito) tempo de ecrã e de dispositivos digitais a que estamos sujeitos, e não me refiro ao tempo associado à vida profissional. Eu pelo menos acho que tenho, e sei que não é pouco, ou pelo menos sei que devia ser menos.
O que este livro de Bruno Patino nos trás é um alerta para as consequências da cada vez maior exposição a que estamos sujeitos ao digital e em concreto a tudo o que dele decorre: emails, notificações, alertas, mensagens, informações, fotos, vídeos, através da Internet e das redes sociais. Tudo isto gera uma situação de dependência, de vício, maior ou menor, mas efetivo, que se traduz num negócio alicerçado em algoritmos por parte de grandes multinacionais.
Não falo em nome de terceiros, mas em nome próprio quando digo que é verdade que a exposição acima referida diminui a capacidade de concentração (e tempo de atenção) e cria dependência. Não me considero um caso extremo, nem perto disso, mas reconheço a perturbação da concentração que é provocada pelos estímulos digitais, e a necessidade de, por vezes, fazer uma desintoxicação, desligar.
O autor alerta-nos para o perigo de ficarmos reféns dos “Facebooks desta vida”, presos por um modelo de negócio (economia da atenção) que tem por base a ideia de que, se não nos estão a vender um produto (produto pode ser a própria informação), então o produto somos nós, logo não podemos desligar.
A mensagem deste livro é forte, inconveniente, mas muito verdadeira. Temos de ser capazes de olhar para o que fazemos para a aceitar. Não se trata de abdicar de nada em definitivo, mas de agir com moderação e com a noção do efeito dos excessos. O autor apresenta uma receita composta por quatro ingrediente para atingir esse fim: sacralizar preservar, explicar e abrandar. Para perceber como se aplicam sugiro a leitura do livro integralmente. Uma leitura de grande importância nos tempos que correm, para nós e para os nossos filhos.

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