
Já aqui referi em vários momentos que não tenho uma relação fácil com os e-books e sei bem que é um tema que divide muito leitores: há que praticamente só leia em e-book, há quem quase não leia em e-book, como é o meu caso.
Contam-se pelos dedos de uma mão os e-books que comprei até hoje. Comprar um e-book é algo que me continua a fazer confusão porque para mim o livro é um objetivo físico que se sente e se guarda. O e-book guarda-se, de facto, mas de uma forma que não me satisfaz.
Desde os meus vinte e poucos anos que comecei a fazer germinar a ideia de ter uma biblioteca em casa. Aos poucos tenho vindo a faze-la crescer e é algo em que tenho muito orgulho. Comprar um livro novo, folheá-lo, remexê-lo e adicioná-lo à biblioteca é sempre um momento de profunda satisfação, e a verdade é que neste processo todo não há espaço para o e-book.
Para que fique claro, eu entendo perfeitamente quem opta pelo e-book como principal elemento de leitura e não considero de modo algum que quem a faz gosta menos de ler. O que acontece comigo é que eu aprecio muito o momento da leitura, mas gosto também verdadeiramente do objeto associado. É a minha forma de gostar de ler e dos livros.
Há um encanto nos livros que se perde num ecrã. Um livro é algo material, com substância. Existe muito para além de um suporte informático.
Enquanto me for possível, e mesmo que a espaços compre um ou outro e-book, não deixarei de comprar livros físicos, mesmo que mais caros, e sonho um momento em que o meu filho possa gozar comigo, velhinho, na minha cadeira a ler objetos pré-históricos como poderão ser os livros em papel. Estou a fazer o possível para que não me faltem objetos desses para toda a minha velhice.
Subscrevo, caro amigo dos livros em papel.
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