
Existem várias formas de beleza num livro, por vezes algumas tremendamente simples e inesperadas.
Um exemplo concreto. No início desta semana, depois de uma noite (mesmo) muito mal dormida, vários desaguisados matinais com o pequeno antes de ir para a escola, alguns pequenos, mas chatos, acidentes domésticos (daqueles que acontecem quase de seguida parecendo que algum ente divido nos escolheu para brincar nesse dia), perto da hora de almoço desci as escadas para ir buscar o referido pequeno à escola com uma tremenda carga negativa em cima.
À entrada do prédio espreitei o correio e, para além da habitual publicidade, tinha um envelope da E-Primatur / Bookbuilders com um livro. Não tinha feito nenhuma encomenda pelo que teria de ser um envio de oferta e ao mesmo tempo uma surpresa porque não tinha como saber que livro seria.
Enquanto aguardava pelo pequeno à porta da escola abri o envelope e dei de caras com o livro que pode ver na foto acima. Para além da surpresa de o ter recebido tudo o resto para mim também foi também uma novidade, o título, o autor e a sua ligação a um clássico. Trata-se de “Os Loureiros Estão Cortados” de Édouard Dujardin que (fiquei a saber) James Joyce reconheceu como a principal inspiração para “Ulisses”.
Foi o suficiente para ficar ali os 15 minutos de espera, a apreciar a beleza da capa, a perceber quem era o autor, a natureza da história e a forma como se liga a James Joyce.
Foram 15 minutos que me fizeram esquecer o resto do dia embrenhado que fiquei no momento e no livro. É esta também a beleza dos livros, a capacidade de nos levar para sítios ou de nos tirar deles. Às vezes só com um envelope, uma capa e uma contracapa.
Eu agradeci e o pequeno também que teve um pai bem menos cinzento a recolhe-lo na porta da escola. Obrigado à E-Primatur / Bookbuilders pela beleza do momento livresco.

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