
Estamos na semana da corrida final aos presentes de Natal. Todas as lojas estão cheias, incluindo as livrarias, o que é, naturalmente de saudar.
O último trimestre do ano é o mais representativo nas vendas de livros, e o período do Natal o mais forte (segundo os dados que tenho). Visto isoladamente, este fenómeno de vendas de livros na quadra natalícia até faz parecer que Portugal é um país que lê. Sabemos que não é bem assim.
A ideia que tenho, e que já confirmei em diversas ocasiões, a última das quais a semana passada (falarei sobre isso na próxima semana para não quebrar o espírito natalício), é que, para muita gente, o livro é “um novo tipo de meias” enquanto presente porque responde à pergunta “o que oferecer?” e fica sempre bem a quem oferece, porque afinal é suposto estar a fomentar um hábito reconhecidamente positivo.
Então qual é o problema? O problema, acredito, é que muitas pessoas que oferecem livros não são leitoras e quem os recebe também não é. É apenas um presente que vai para um local diferente das meias e com menos utilidade.
Recentemente esta ideia foi-me confirmada por uma livreira. Muitas pessoas procuram livros sem qualquer critério. “É um livro. Sobre o quê? Não interessa, quem quer ler lê qualquer coisa, certo?”, parece ser uma ideia frequente.
Faço notar que não defendo, de forma nenhuma, que de deveriam oferecer menos livros, antes pelo contrário, acho que se deveriam oferecer mais. Aquilo que defendo é uma maior atenção ao tema, ou seja, um cuidado adicional quando se oferece um livro. Da mesma forma que se procura acertar no tamanho da camisola, devia-se procurar acertar no livro, um livro sobre algo que alguém possa ter interesse é o equivalente ao número certo da camisola.
Pode parecer difícil, mas muitas vezes não é. Podem bastar duas coisas: saber um pouco sobre os gostos e interesses da pessoa e pedir ajuda a um(a) livreiro(a). Eu acredito que há um livro para toda a gente, e oferecer um livro sobre algo que quem recebe gosta pode ser meio caminho andado para potenciar a leitura.
Em resumo, o meu desejo para este neste Natal é que quem pretenda oferecer um livro faça um esforço adicional e tente oferecer leitura. Pode parecer a mesma coisa, mas é algo bem diferente.
como eu gostava que mais pessoas tivessem essa atenção. cheguei a escrever um post sobre isso há dois anos: https://sweetstuff.blogs.sapo.pt/como-comprar-o-livro-perfeito-para-289393
ResponderEliminarMuito interessante! Obrigado pela nota!
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