
Tenho de começar por confessar que nunca fui muito adepto de releituras. Mesmo naqueles casos em que adoro verdadeiramente um livro raramente sinto uma grande vontade de o voltar a ler integralmente, e aqui, friso bem integralmente, porque me acontece voltar a ler partes, especialmente de livros de não ficção para confirmar, ou revisitar, partes que me interessam.
Até há pouco tempo atrás recordo ter relido apenas um livro, “O Principezinho” que, no caso, vale por dois, porque no total já o li três vezes ao longo da minha vida, sendo que a última foi no ano passado e a primeira quando tinha os meus 14 anos.
Este ano no início do ano, e por via de um audiolivro, voltei a reler/ouvir “Hamlet” de Shakespeare, cerca de 20 após ter lido a primeira vez. Mais recentemente, em concreto no mês passado, e no âmbito do Clube de Leitura do PNL 2027, reli o livro de Gabriel García Márquez, “Amor nos Tempos de Cólera”.
Isto tudo para dizer que, aos poucos, a minha perspetiva sobre as releituras tem vindo a mudar. Mantenho a ideia de que, com tantos livros para ler, as releituras ocupam tempo precioso que podia ser consumido pela leitura de novos livros, no entanto, há um encanto particular em reler um livro, especialmente dos bons, passados muitos anos da primeira leitura.
Na verdade, é como se apenas uma parte da pessoa que leu o livro num primeiro momento o estivesse a reler, porque a outra parte é nova, é resultando de um processo de crescimento, de experiências, de vivências que condicionam o segundo olhar sobre o livro.
Na minha releitura de “Amor nos Tempos de Cólera” a realidade que refiro ficou para mim evidente. Apesar de me recordar perfeitamente da primeira leitura, tenho perfeita noção que vinte anos volvidos e muitos livros depois, consegui degustar o livro de outra forma e identificar nele um conjunto de qualidades que da primeira vez me passaram despercebidas.
Dito isto, considero mudar de perspetiva em relação à realização de releituras, seja por via de leitura efetiva, ou por via de audiolivro. Este ano já fiz duas e estou em processo de seleção para fazer mais uma. De preferência outro livro que tenha lido há muito tempo, porque acredito que o efeito é sempre mais forte. Vivendo e aprendendo.
A minha opinião sobre releituras também tem vindo a alterar-se nos últimos tempos. Uma releitura é sempre uma nova forma de ler aquele livro que nos marcou em determinada época das nossas vidas.
ResponderEliminarBoas leituras e boas releituras...
Precisamente, em total acordo.
EliminarBoa semana e boas leituras!
Tirando o Harry Potter que já reli várias vezes, reli muito poucos livros. Há sempre o risco de ficarmos desiludidos quando relemos um livro de que gostámos muito...
ResponderEliminarÉ uma perspetiva interessante. É possível que dependa muito do tipo de livro e idade/momento. Acredito que um livro de que tenhamos gostado muito, no limite pode, numa releitura, ter "uma magia diferente". Mas, ainda assim, acredito que possam existir exceções.
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