A palavra que mais me veio à cabeça durante e no final deste livro foi, inquietante. Não pelo livro em si, mas por causa do que ele pode representar.
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O livro é uma sátira, brilhantemente construída, assinada por uma personagem fictícia, Titania McGrath, uma mega-ativista, poetisa, vegana, etc., que se tornou conhecida por ser a autora de um blogue e conta de Twitter onde escrevia sobre racismo, feminismo, machismo. Chegou a ter mais de meio milhão de seguidores. Esta personagem fictícia foi criada um humorista, Andrew Doyle, facto que durante muito tempo não foi conhecido. Como é referido no próprio livro, o que parecia ser a defesa de posições absurdas, era na verdade a sátira dessas mesmas posições.
E o livro é precisamente isto: a defesa, através de textos absurdos, mas tremendamente bem escritas, de posições absurdas de ativismo da suposta defesa da justiça social. Há verdadeiras pérolas para desfrutar. O meu texto favorito é o dedicado à liberdade de expressão, e gostaria de ler os vários poemas nas no original em inglês.
A parte inquietante é que esta “pessoa” e as suas “posições” granjearam de facto apoiantes que se identificavam com ela, por partilham das suas ideias / posições absurdas. Essa é a parte preocupante.
Tenho a certeza de que haverá muito boa gente capaz de ler o livro, e se ignorarem a sua origem, baterão palmas, não pela magnífica comédia que proporciona, mas porque acreditam nas barbaridades escritas.
É um livro a ler pelo que nos dá de divertido, mas também pelo que nos mostra de uma realidade preocupante, muito incrementada pelas redes sociais e pela total falta de noção do real. E a verdade é que estes fenómenos de híper-ativismo acabam por ser muito prejudiciais aos princípios de justiça social que alegadamente defendem.
Se tiverem oportunidade leiam, que vale a pena.

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