quarta-feira, 7 de abril de 2021

Leitura - "Klara e o Sol" de Kazuo Ishiguro

Uma das últimas compras (16).png


Mais sobre o livro aqui


A nossa apreciação sobre um livro pode ser grandemente toldada pela expetativa e por ideias pré-concebidas que criamos na nossa mente sobre o mesmo. Não é uma novidade, mas às vezes manifesta-se de forma mais efetiva. Aconteceu-me isso mesmo com “Klara e o Sol”.


“Klara e o Sol” é o meu primeiro livro do escritor laureado com o Nobel, Kazuo Ishiguro, e quando li inicialmente sobre o livro, sabendo que se tratava de um romance no campo da ficção cientifica, criei uma ideia sobre como seria, ideia essa que não se concretizou, porque não é “a” ficção científica no sentido em que a imaginei.


Desde logo é necessário ter em conta que o narrador é um robot, Klara, uma Amiga Artificial, e toda a história, situada num futuro próximo, é contada tendo por base a sua perspetiva.


Aquilo que pode ser visto como uma fragilidade da história, porque dai resulta alguma falta de enquadramento global, é afinal de contas a essência do livro. O livro “é” a visão de um robot sobre os humanos, o comportamento humano, interações e os sentimentos humanos, em particular o amor. É muito importante que o leitor entre na história por esta porta, ou seja, com a ideia que clara de que a história é contada na perspetiva de um robot humanoide, à partida desprovida de sentimentos, mas que ao mesmo tempo revela caraterísticas humanas, como a procura da salvação.


Klara apresenta-nos um mundo do qual ficamos a saber que robots como ela existem para aliviar a solidão de jovens, de uma casta superior, “elevados”, que pouco ou nada convivem, a não ser em momentos programados de interação. É um mundo que ela própria procura aprender e “compreender”, para, no limite poder ser até uma opção para substituir uma humana, no caso, a criança para a qual foi comprada.


Existem peças do puzzle que vão ficar por preencher, mas será menos uma falha do que uma consequência da forma como a história é contada. A essência é a humanização de um robot na sua relação com os humanos e todo o seu “percurso de vida”, e de alguma forma o seu contraste com o ser humano.


Em suma, gostei do livro, mas acho que é possível não o tenha apreciado em toda a sua essência. Sinto que me faltou ler algumas, senão muitas, entrelinhas. É um livro que deveria ter uma segunda leitura. É por isto mesmo que recomendo a sua leitura, precisamente para que possam constatar, ou não, o que refiro e, caso o façam partilhem por favor a vossa opinião. Nota: tenham sempre presente que o narrador é um robot. É importante.

Sem comentários:

Enviar um comentário