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Chegou ao fim “Uma Terra Prometida” de Barack Obama, a leitura mais longa dos últimos anos, já que estava a decorrer desde o início de dezembro do ano passado.
Foi uma leitura que deixei propositadamente que se arrastasse, independentemente da sua dimensão (quase 800 páginas em letra pequena e com espaçamento reduzido), por prazer, para ir apreciando, aos poucos, enquanto fui intercalando com outras leituras.
O livro é tudo aquilo que esperava dele, mas mais do que aquilo que se poderia esperar das memórias de um presidente dos EUA. É simultaneamente é um livro presidencial, humano, franco, autocrítico, amargurado e, acredito, muito completo. O erro é aliás um dos pontos fortes deste livro, e o que faz dele também um livro diferente.
Obama assume no seu livro de memórias a mesma postura que muitas vezes assumiu na sua presidência, relatando as suas memórias sem nunca deixar de parte o homem e pai de família que é e a forma como conjugou essa realidade com o cargo de presidente dos EUA, errando, corrigindo, tentando fazer melhor.
O antigo presidente leva-nos desde os primórdios da sua carreira política até quase ao final do primeiro mandato. Apresenta-nos uma visão interna da gestão da crise financeira que começou nos EUA e que todo o seu mandato, e leva-nos pelos principais momento e decisões até à captura de Osama bin Laden. Apresenta-nos os bastidores, as discussões, tensões, indecisões e as querelas polícias entre Democratas e Republicados na Câmara dos Representantes e no Senado, muitas vezes a roçar o baixo nível e a constituir-se muito mais como um playground de interesses do que uma real instituição de apoio e promoção de políticas que promovam as melhorias das condições de vida dos seus cidadãos. O bloqueio permanente dos republicanos é o ponto negativo mais realçado ao longo do livro. E nem Trump é deixado de fora.
Não tenho dúvida alguma que este livro estará entre as minhas escolhas dos melhores livros que li este ano. É um livro sobre as memórias de um presidente, mas não só, é uma oportunidade para conhecer o outro lado da política e da realidade de um presidente cuja eleição será sempre lembrada como um marco histórico. É provável que o mundo estivesse noutra situação que tivéssemos por aí mais Obamas.
Mais rápida ou mais demorada, esta é uma leitura a não perder de forma alguma. E cá fico à espera do segundo volume!

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