segunda-feira, 24 de agosto de 2020

A escala de Richter dos livros

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Acho que a maioria das pessoas que gostam muito de livros já foram, em algum momento, confrontados com aquela célebre pergunta: “Qual é o teu livro preferido?” ou “Qual foi o melhor livro que já leste?”.


Acredito que muitas terão efetivamente uma resposta honesta, mas certamente que muitas têm uma resposta mais ou menos fabricada (conheço algumas). Conheço poucas (e pode ser um problema meu) que não tem resposta para esta pergunta. Eu não tenho uma resposta única e fechada.


Quando andava na Universidade tive um professor que numa entrevista para a revista da instituição respondeu sempre da mesma forma às perguntas sobre os seus gostos favoritos em livros, filmes, locais: respondeu a todos “aqueles que ainda não li/ vi / visitei” e argumentou que era uma resposta honesta porque tinha sempre a expetativa de que o melhor ainda estava para vir, até porque essa expetativa era motivante para continuar a ler livros, a ir ao cinema e a visitar novos locais.


Confesso que naquela altura pensei que era apenas uma forma de fugir às perguntas, mas hoje muito mais velho, sou capaz de me rever na resposta.


No que diz respeito aos livros, apesar de ter tido livros que me marcaram ao longo dos anos, não consigo dizer que há um livro que é o meu favorito, ou o melhor que já li. O mais próximo que tenho dessa realidade talvez seja “O Mundo de Sofia” de Jostein Gaarder, que li em 1995 e que me abriu definitivamente os horizontes do pensamento, algo que considero muito importante e que acabou por estar na origem também do meu amor pelos livros.


De resto prefiro dizer que tenho um género de uma Escala de Richter dos Livros, ou seja, uma escala em que atribuo mentalmente o valor aos livros em função do “abalo” que me provocam. Felizmente leio muitos que estão entre um 6 e 8, talvez tenha lido um ou outro 9 e ainda estou à espera de um 10.

4 comentários:

  1. Costumo classificar os meus preferidos em; quais os livros que salvaria em caso de incêndio?
    Não pode ser só um, é impossível. Teria que arranjar um saco onde coubessem, Eça, Steinbeck, Pearl Buck, Leon Uris e provavelmente descobriria rapidamente mais alguns.

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  2. Ui, tão difícil, porque quando escolhemos um, achamos que estamos a trair outro e aquele outro e ainda mais outro...

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