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Ler as crónicas do @corpodormente cria em mim, ao mesmo tempo, uma satisfação imensa e alguma preocupação. Satisfação porque estão maravilhosamente bem escritas e uma pessoa até se esquece que tem de ir dormir e que o despertador toca cedo no dia a seguir. Preocupação porque não entendo como é que esta pessoa se infiltrou na minha cabeça para lá encontrar coisas que eu penso e as descortinar de forma tão clara e polida. Quase parece bruxedo, ou lá o que é.
Tenho muitas crónicas preferidas, algumas que já tinha lido e que foi um gosto revisitar. Vou tomar a liberdade de destacar algumas que releio sempre com a sensação de que alguém, que não sabe quem eu sou, me compreende tão bem: Saudades do presente, As palavras que mentem, Um brevíssimo mas eterno sorriso e Metro quadrado de silêncio. Gosto muito também da laranjeira que era da casa da avó. A minha avó não tinha uma laranjeira, mas eu gostava de um dia ter uma casa com um limoeiro e que quando eu já cá não estiver, os meus netos queiram ficar com ele, seja onde for, que de lá apanhem limões e que os usem para fazer limonadas e tartes de merengue, daquelas que quase se parecem com as que a avó fazia.
Escusado será dizer que recomendo muito esta leitura, até porque também aqui, nesta cabeça que não sossega, faz mesmo muito barulho.

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