
Quando eu era miúdo ter uns sapatos “de marca” era algo a que todos dávamos muito valor, e verdade seja dita, chegava a ditar a diferença entre ser e não ser pertença de um grupo.
As “marcas” eram menos, os modelos não eram assim tantos, por isso era uma espécie de fonte de status. Mas éramos miúdos, adolescentes, não mais do que isso.
As “marcas” hoje são muitas mais, os modelos inúmeros, os preços mais acessíveis (pelo menos em algumas). Hoje os miúdos parecem muito mais desligados desta realidade, muito menos preocupados com isso e essa preocupação passou para os adultos, supostamente mais sapientes e conscientes.
Hoje os adultos fazem por ostentar marcas, mais do que produtos. As letras garrafais na t-shirt, nos ténis, nos cintos, nas alças das malas. Não importa se é bonito ou não, importa que se veja que é “de marca”. E sim, isto também é válido para as marcas dos carros.
Muitos adultos comportam-se como se a palavra “GUESS” estampada na t-shirt funcionasse com um upgrade de inteligência, de importância em relação ao comum mortal que veste por exemplo Primark. É expectável que o primeiro adulto esteja acima do segundo… seja numa conversa, numa discussão, numa fila de supermercado, num estacionamento. Posso partilhar vários episódios recentes onde esta realidade esteve presente. Tristemente presente.
Podem dizer-me que há coisas bem piores e grandes, mas são comportamentos como este, com que me deparo todos os dias, que me lembram sempre, com alguma graça e ao mesmo tempo sem graça nenhuma, o cartoon abaixo.

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