
Chega amanhã às livrarias um livro que gostaria de destacar aqui. Trata-se do livro “Quando o Vaticano Caiu” e o autor é um estreante nestas andanças, Pedro Catalão Moura. Um novo autor português, uma aposta da Editora Saída de Emergência.
Ainda em 2022 tive oportunidade de ser um dos “leitores beta” do livro, algo que me deixou imensamente satisfeito já que fiquei muito agradado com a história e com a maturidade da escrita.
Hoje para os apresentar um pouco do livro e do autor deixo uma pequena entrevista. Espreitem que vale a pena. A entrevista e mais ainda o livro. Fica a minha recomendação.
Sabendo da sua realidade profissional, permita-me perguntar como é que um homem da ciência começa a sua aventura literária a escrever sobre o Vaticano? Existe alguma ligação particular ao tema?
É precisamente por ser uma pessoa que tem dedicado a sua vida profissional à ciência que decidi escrever uma história em nada ligada às áreas exatas. A escrita não científica, chamemos-lhe assim, surgiu na minha vida muito como uma escapatória às aventuras e agruras da carreira académica. Nada me dá mais prazer do que, depois de um dia inteiro dedicado à investigação, ao trabalho em laboratório e à escrita de artigos, chegar a casa e poder explorar mundos novos, mundos diferentes do meu, realidades menos pragmáticas, menos lineares. E não, não tenho nenhuma ligação particular ao tema além da ligação que todos nós temos. Enquanto portugueses, a esmagadora maioria de nós teve ou tem uma educação e uma ligação bastante forte com a igreja e, em particular, com a igreja católica. Além dessa, não tenho qualquer outra ligação. Não conheço sequer o Vaticano, pasmem-se.
Imagino que havendo uma base de realidade importante no seu livro, o trabalho de investigação teve um papel tão importante como o processo de escrita, ou a realidade foi diferente?
Sem dúvida. Eu diria até que demorei mais tempo no processo de investigação, recolha de dados e desenvolvimento da estrutura do livro do que propriamente com a escrita. No total, foram precisos quase dois anos para completar o livro e, claro, a investigação é crucial. Eu não conseguiria escrever o livro sem ter toda uma estrutura sólida e bem desenvolvida, sem ter os pilares da obra. Esses pilares vêm da pesquisa. Ser-me-ia impossível escrever o livro sem ter definido o princípio, meio e fim, sem ter todas as personagens criadas, as suas formas de ser e de estar, o rumo que elas vão tomar durante a história, os tópicos mais importantes da sua biografia, as datas dos principais acontecimentos a abordar no livro e tantas outras coisas. Só depois de terminado todo este processo é que me dedico à escrita, que acaba por tornar-se bastante mais simples graças, precisamente, à investigação e preparação prévias.
Tendo já lido o livro (oportunidade que aproveito para agradecer) um dos pontos que me saltou à vista foi a maturidade na escrita. Sendo a escrita algo que lhe é familiar por motivos profissionais, tirou alguma vantagem dessa prática para escrever o livro?
Sim, o Nuno foi convidado a ser leitor beta do manuscrito inicial do “Quando o Vaticano Caiu”, convite que partiu da editora. Curiosamente, eu só soube quando recebi as opiniões dos quatro leitores beta. Até então, desconhecia quem eram as pessoas. Agradeço ao Nuno as excelentes palavras que escreveu sobre o meu livro e que me deixaram profundamente feliz. Aproveito a dica para agradecer também à Editora Saída de Emergência pela aposta no meu livro e por toda a dedicação e cuidado que têm tido para comigo. Tem sido fantástico fazer parte desta casa que já vejo como sendo minha.
Fico contente que a minha escrita seja vista como madura, ainda para mais, sendo este o meu primeiro livro. Acredito que esta maturidade se deva, sobretudo, a dois tópicos. Um deles, o facto de eu ser um leitor ávido e ler de tudo um pouco. O segundo, o tempo que eu demorei a construir todo o livro, o que me permitiu ler e reler, escrever e apagar, e aperfeiçoar a escrita. Não creio que a escrita que faço profissionalmente seja um contributo para a maturidade da escrita do livro. Estamos a falar de estilos muito diferentes (e línguas diferentes). A escrita de um artigo científico quer-se curta, direta e o mais simples possível. A escrita literária, na minha opinião, ganha qualidade se for um pouco mais rebuscada. Agora, as técnicas de investigação usadas no meu dia-a-dia, sem dúvida, foram úteis também na pesquisa para o livro.
Pelo que tenho assistido, a recetividade ao livro tem sido muito boa. Como tem lidado como esta "nova realidade de escritor"?
Sendo bem honesto, não mudou muita coisa, e tento que não mude. Tenho até alguma dificuldade em apelidar-me como “escritor” porque fico sem palavra para adjetivar verdadeiros escritores como o Saramago, o Valter Hugo Mãe e tantos outros. Como é óbvio, fico felicíssimo por ver o livro ser bem recebido pelos leitores e gosto imenso de saber a opinião de quem já leu ou até de quem gostou da capa e vai ler entretanto. Em simultâneo, sinto um grande nervosismo. “Quando o Vaticano Caiu” é o meu primeiro livro e, como tal, esta inexperiência deixa-me algo sobressaltado. Em suma, quem escreve um livro quer, sobretudo, ser lido e quer que os seus leitores apreciem a história. Eu não sou diferente e espero corresponder às expectativas.
Pelo que sei está a trabalhar na sua tese de doutoramento. Vamos ter de esperar que esse "projeto" termine ou já temos novo manuscrito em preparação?
É verdade, estou próximo de concluir o meu doutoramento em Engenharia Biomédica pela Universidade NOVA de Lisboa, mas o meu doutoramento é perfeitamente distanciável da criação literária. O “Quando o Vaticano Caiu” foi inteiramente criado durante os anos em que já decorria o meu projeto de doutoramento e eu tentei sempre que esses dois polos não interferissem entre si. Talvez tivesse demorado menos do que dois anos a concluir o livro se pudesse ter-me dedicado inteiramente a ele, mas isso não é possível, hoje em dia. Em suma, não será o doutoramento a atrasar um eventual segundo livro. Quanto a ele, eu não gosto muito de falar em cenários hipotéticos sem que estes se materializem. É verdade que existem umas quantas premissas que tenho vindo a explorar e que podem resultar em livro, mas nada em concreto, por enquanto. A existência de um segundo livro também dependerá do quão bem este primeiro é recebido pelos leitores.
Imagine esta pergunta como um momento de publicidade da sua autoria: numa frase como apresentaria o seu livro?
Caro Leitor, se gosta de um bom thriller, inspirado em factos históricos verídicos, a decorrer em cenários bélicos e que lhe são bem familiares, com personagens fortes e aguerridas, jogos de poder e conspiração, e cheio de intriga, mistério e volte-faces, então não pode perder o “Quando o Vaticano Caiu”.
Obrigado, Nuno, pelas perguntas :)

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