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Não foi fácil escrever o meu comentário sobre este livro. Na base do problema está a eterna correspondência / não correspondência entre a realidade e as expetativas.
O livro é bom, a escrita é excelente a história está bem imaginada e concretizada, mas faltou-me qualquer coisa. Talvez porque esperava que fosse soberbo em ver de “apenas” muito bom.
O que tinha lido sobre o livro (e li algumas coisas) apontava para uma escrita poética, para uma história quase mágica. Os dois ingredientes estão efetivamente lá, sem dúvida, mas esperava que a mistura fosse ainda melhor.
Richard Powers leva-nos através de uma história assente numa relação pai filho muito particular. O pai é um cientista que dedica a vida a procurar vida noutros planetas, o filho é um pequeno de 9 anos com algumas particularidades, entre elas a síndrome de Asperger, e que quer a todo o custo salvar o planeta em que vive.
É um livro onde encontramos misturados vários ingredientes, desde a dinâmica familiar atípica, passando pelo futuro incerto até à realidade de degradação do nosso planeta. É preciso ler para perceber com estes ingredientes se relacionam.
Existem efetivamente no livro indubitáveis momentos de escrita quase poética que o autor utilizar para nos dar a perceber o que pretende. Fá-lo muito bem e dá um toque classe à história.
Não quero ser mal interpretado. Este é um livro que merece ser lido. Sem dívida. Talvez, mais uma vez, tenha sido levado pelo excesso de expetativas. Se não fosse esse o caso provavelmente tinha apreciado melhor o livro. Talvez não seja um Assombro, mas é um bom livro.
Se tiverem oportunidade leiam e partilhem o vosso sentimento. Aceito que me possa escapado algo e gostava de ouvir / ler outras opiniões. Até lá fica a vontade de ler o outro livro do autor que lhe deu o Pulitzer “The Overstory”.

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