Aceitei o desafio da Bertrand e fui ao baú da memória tentar desencantar ao baú da memória a minha memória mais antiga, porque aquelas que não quero esquecer são mais simples.
É difícil situar exatamente no tempo uma memória que tenho com o meu avô paterno mas não deveria ter ainda 5 anos. Qual ele se reformou passava uma boa parte do dia de volta de uma História de Portugal, único livro que possuía, que nessa altura já não era nova, e lia a mesma repetidamente. Por vezes eu andava por ali e ele lia alto para mim. A passagem que tenho melhor memória é do rei D. Dinis e do pinhal de Leiria. Ainda hoje guardo religiosamente esse livro e a memória do meu avô como um grande amigo que tive.
As memórias que não quero e certamente não conseguirei esquecer são 3, os nascimentos dos meus dois filhos e o dia em que a minha hoje mulher aceitou namorar comigo. Sem esta última data as duas anteriores não teriam sido possíveis, por isso não a posso esquecer.
Obrigado à Bertrand Livreiros por me ajudar a ir às confins da memória numa época em que, quer queiramos, quer não, as memórias ganham outra importância e sim, claramente o amor fica na memória.
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