
Nas últimas semanas li algumas críticas menos positivas aos últimos dois livros de Daniel Silva. Apesar de ainda não ter lido “The Collector”, li “O Retrato de uma Desconhecida”, e depois de ler as críticas sinto alguma necessidade de vir em defesa do autor.
Compreendo que alguns leitores sintam que nos últimos livros parece existir um certo amolecimento do herói Gabriel Allon e nas teias do enredo criado em comparação com outras obras anteriores, no entanto, acho que é necessário ver as coisas em perspetiva.
Daniel Silva escreve há 23 anos um livro por ano com as peripécias do espião israelita, e embora nunca seja mencionado exatamente o tempo presente percebe-se muitas vezes que a ação decorre no tempo mais ou menos presente. Ou seja, desde que surgiu, Gabriel Allon envelheceu 23 anos e com ele as histórias e o elenco fixo das mesmas tem de acompanhar esse envelhecimento.
Acho que Daniel Silva tem feito um trabalho notável na evolução das personagens e da história, contextualizando-as com muitos acontecimentos reais que foram ocorrendo, adaptando as duas vidas, as suas ligações. Acredito que não haverá registo de sagas tão longas nos últimos anos com os mesmos personagens e com a manutenção da qualidade que Daniel Silva conseguiu.
Como leitor provavelmente gosto mais dos livros mais explosivos da Allon, mas respeito e compreendo as necessidades criativas do autor às realidade, e continuo a apreciar muito. Temos o direito que gostar de mais ação, mas também devemos o respeito ao trabalho criativo do autor, sem esquecer que muito provavelmente um dia Gabriel Allon irá reformar-se. Que ainda demore e que Daniel Silva consiga continuar a trazer-nos as suas histórias.
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