terça-feira, 16 de novembro de 2021

A classificação dos livros, ou o grande saco da Autoajuda

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Confesso que não é algo a que preste muita atenção, mas de vez em quando reparo na classificação / catalogação dos livros, no que ao tema diz respeito, e acabo por ficar surpreendido.


A caso mais recente aconteceu com o livro de Will Smith, “Will”. Um livro que me parece claramente integrado na categoria de “Biografia e Memórias”, mas que por cá é colocado no lote dos livros de “Autoajuda”. A própria editora de origem (a Penguin) coloco o livro no segmento de “Memórias”.


Outro exemplo para mim gritante é podermos encontrar lado a lado na mesma categoria de “Autoajuda” livros como (o excelente) “Hábitos Atómicos” de James Clear e “Criatividade” de John Cleese, juntamente com os livros de Gustavo Santos...


Se calhar o problema é meu e isto não tem nada de mais, mas confesso que não compreendo e, no limite passa uma mensagem enganadora. As se calhar sou só eu que vejo coisas a mais.

6 comentários:

  1. Também não percebo. «Wintering» de Katherine May está classificado em inglês como livro de memórias, que é o que o livro é. Em português, não só está classificado como autoajuda como ainda tem o título de «Reiniciar»... Só me ocorre que talvez a autoajuda venda mais em Portugal, então "desviam" os livros de memórias para esse tópico? Não entendo.

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    1. É verdade que há inúmeros exemplos. Não consigo perceber...
      Boas leituras!

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  2. Parabéns pelo destaque :)
    Concordo, é muito estranho colocarem tanta não-ficção+ memórias na secção de auto-ajuda.

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    1. Obrigado!
      Acho que deve ajudar a vender, não sei.
      Boas leituras!

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  3. Mas, de um modo geral, o problema é maior do que isso, e não está resumido aos livros de 'auto-ajuda'. Por exemplo, onde colocar, nas prateleiras de uma livraria, obras como "Arte de Amar", de Ovídio, que "só" foi uma das mais populares da história da cultura ocidental? Onde colocar "O Consolo da Filosofia", de Boécio, que cai nesse mesmíssimo saco?

    De um modo muitíssimo geral, até, não podemos definir quase todos os livros deste mundo como 'auto-ajuda', na medida em que nos ensinam a compreenderem-nos melhor a nós próprios? Pegue-se na Comédia de Dante:
    "Nel mezzo del cammin di nostra vita
    mi ritrovai per una selva oscura
    ché la diritta via era smarrita."

    Quem nunca sentiu isso? Quem nunca se sentiu perdido e, como Dante na obra, decidiu buscar respostas...?

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    1. É uma ótima perspectiva. Estamos de acordo!
      Boas leituras!

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