segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Essa coisa de proibirem a venda de livros

MINISTÉRIO dos LIVROS (7).png


No sábado fui fazer as minhas compras da semana logo de manhã. No espaço que costumo frequentar há uma pequena secção de livros e cá fora existe uma papelaria / livraria que tem uma razoável seleção de títulos.


Tendo-me esquecido que os livros foram “proibidos” nos grandes espaços comerciais, dirigi-me, como sempre faço, por alguns minutos ao local onde costumam estar, e só ao dar de caras com uma fila inteira de cadeiras de bebé no seu lugar é que me lembrei que esta semana a rotina não seria possível.


Do lado de fora, na papelaria / livraria, o cenário era ligeiramente diferente. Aqui tínhamos livros, mas de acesso interdito com fitas a delimitar o espaço (foto abaixo), como se estivéssemos perante produtos tóxicos, ou algo do género.


20210123_084224_resized.jpg


Já aqui manifestei na semana passada a minha posição: acho que, com todas as exceções aprovadas no contexto do confinamento, nem as livrarias nem qualquer espaço de venda de livros deveria estar proibido de o fazer.


Para um leitor a ideia de não poder comprar livros é complicada, mais ainda quando ela é apresentada visualmente desta forma. É contranatura, é quase uma imagem obscena a imagem de prateleiras de livros com sinaléticas de proibição. É colocar os livros num lugar que eles não merecem.


 

8 comentários:

  1. É como por o chocolate à frente da criança, e dizer-lhe que não o pode comer.

    ResponderEliminar
  2. Estou furiosa com isto, a sério. No Continente que tenho aqui perto já retiraram os livros, todos, mas deixaram-nos bens essenciais absolutamente indispensáveis como a Caras e a TV7 Dias

    ResponderEliminar
  3. Não é uma imagem bonita claro, mas quantos leitores têm uma pilha de livros por ler em casa que daria para vários confinamentos?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Compreendo o que refere, mas acho que a questão aqui é mais abrangente, é de princípio. Proibir a venda de livros é, por si só, contranatura. A mim também não me afeta (tenho material para confinar durante anos :)), mas acho que não é isso que está em causa. Boas leituras!

      Eliminar
    2. Então o que é que está em causa? Como eu disse nenhum leitor gosta de medidas destas e de encontrar estantes a que não pode aceder, mas vivemos tempos excepcionais e a verdade é que não faz sentido manter livrarias abertas enquanto outros têm que fechar. Conheço uma pessoa que vende eletrodomésticos, tinha lógica estar fechado e a livraria ao lado aberta? E fecham as livrarias é logico que os supermercados não possam vender livros...Ninguém vai ficar sem leitura. A última vez que comprei livros foi na FL e também achei contranatura não os poder folhear, mas teve que ser.

      Eliminar
    3. Existem, salvo erro, 52 exceções de estabeleciomentos / entidades que podem fazer venda, é nesse sentido que considero que não faz sentido excluir as livrarias.
      E, lamento, mas não concordo consigo quando diz que se as livrarias estão fechadas os supermercados não devem vender livros. Essa visão tem apenas em conta um dos muitos players do mercado livreiro que são as livrarias, mas existem inúmeros outros prossionais, a comerçar no autor, passando pelas editoras, que, com esta medida são prejudicadas.
      Não é uma questão de ficar sem leitura, é a impossibilidade de comprar um determinado bem, fundamental em qualquer sociedade civilizada. Mal comparada, provavelmente todos nós temos canecas e talheres em casa para 15 dias ou um mês, e esses estão à venda.
      Vivemos tempos muito díficeis, nenhuma decisão seria 100% aceite por todos, e para quem está a decidir é certamente muito complicado.
      Boas leituras!

      Eliminar