quarta-feira, 25 de abril de 2018

Leituras - “Guerra Americana” de Omar El Akkad

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Terminei já no domingo o livro “Guerra Americana” de Omar El Akkad.


Conforme escrevi aqui, o início do livro assustou-me um pouco. Digamos que, mesmo na ficção, evito o tema guerra/crianças e no início o livro retrata a vida da personagem principal, Sarat, em muito tenra idade, no entanto a ação rapidamente avança e o livro acaba por envolver o leitor pela qualidade da narrativa.


Um aviso à navegação: é um livro cru, muito cru, sem heróis, num contexto de guerra numa América futurista e autodestrutiva. A personagem principal, Sarat, é uma menina/mulher marcada pela guerra desde muito cedo e que vive a sua vida toda em função da guerra, da vingança independentemente dos custos que possa existir para outros.


A história é contada, muitos anos depois, por um sobrinho de Sarat. As razões pelas quais isso acontece só se percebem mesmo no final do livro, mas a narrativa está muito bem montada.


O autor prende o leitor não porque este esteja à espera de um final emocionante, mas porque a quer saber onde vai desaguar a história.


Ainda que seja uma distopia, não consegui deixar de acabar o livro e pensar em duas coisas: em como apesar de se tratar de uma distopia, a sua tradução prática para a realidade não é totalmente descabida, porque precisa apenas do pior que há no seu humano e em como muitas vezes penso, com receio, no mundo em que o meu filho pode vir a crescer. Bem sei que ele nasceu na época mais auspiciosa da história para o ser humano, mas se olharmos à volta percebemos que, pode bastar um idiota com poder para lançar o mundo numa espiral destrutiva. É pesado eu sei, mas às vezes penso nisso.


É um bom livro, uma boa história, que recomendo vivamente.

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