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"Matei a minha mulher. Não fiz de propósito, mas é daquelas coisas que, depois de feitas, já não deixam volta a dar." É assim que começa este “Amor Estragado” de Ana Bárbara Pedrosa e foi precisamente esta frase que me agarrou ao livro e fez dele minha leitura imediata.
Num registo muito diferente do que tinha encontrado em “Palavra do Senhor”, este livro transporta-nos para uma realidade onde o centro de gravidade gira em torno de um conjunto de vetores: violência, álcool, inveja, traição, desgosto, que se materializam na destruição de uma família.
Numa escrita muito crua, Ana Bárbara Pedrosa levou-me por vezes a ter a sensação de estar a ler um relato de uma história real, por infelizmente o Manel desta história existe na vida real de muitas famílias. Não há exageros, não há pontas soltas, há uma história muito bem construída do princípio ao fim, onde todas as personagens existem com a sua função no puzzle.
Gosto quando um livro cumpre, e supera até, a expetativa que tinha sobre ele. Foi o caso deste “Amor Estragado” que, na minha opinião, afirma Ana Bárbara Pedrosa como um caso sério da nossa literatura. Muito, muito bom, mesmo.

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