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Dizem que o que mais importa são as pequenas coisas. E é sobre as pequenas coisas que nos fala Madalena Sá Fernandes nesta deriva. E sim, quero mesmo dizer “nesta deriva”. Porque nos leva numa espécie de navegação sem rumo, explorando o que aparece à vista. Escreve-nos sobre pequenas coisas que se tornam grandes no espaço que ocupam nas nossas vidas. Em vez de falar num renascer depois da separação, mostra o quanto custa a ausência do que conhecemos. Mostra-nos, como a inocente escolha do nome do cão, pode preencher tantos episódios caricatos. Parece-lhe que as máquinas ainda estão longe de nos substituir na criatividade de dizer e fazer alguma coisa que ainda não foi feita. Conclui que a terapia só se encontra mesmo na terapia, por mais que a tentemos encontrar noutro lado.
Fala-nos de fragilidades com o à vontade e a franqueza de quem, com ou sem medo, não se escusa de dizer como é a vida aos seus olhos.
Talvez seja essa honestidade, sem medo da opinião alheia, com a humildade de quem reconhece no que é pequeno um valor tão importante, que faz com que ler este livro seja tão agradável. Seja numa crónica ou em muitas, acabamos sempre por nos rever nas inquietudes ou resoluções desta autora.

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