
Há uns tempos registei um apontamento no meu caderno de notas sobre como não aproveitamos a liberdade dos livros. Achei que hoje era um bom dia para escrever meia dúzia de linhas sobre isso.
A ideia que me levou a escrever o dito apontamento é simples: vivemos há décadas num contexto de liberdade, a grande conquista de abril, mas até hoje não capitalizamos essa conquista de melhor forma no que diz respeito aos livros.
Temos ao nosso dispor, sem restrições, todo o tipo de literatura, ficcionada, mas também de não ficção, pejada de conhecimento e saber que não aproveitamos devidamente para fundamentar as nossas opiniões em factos e não em “achismos” tantas vezes disseminados como verdades nas redes sociais.
Se calhar sou eu que estou velho e acredito no poder dos livros enquanto veículos de conhecimento e de elementos estruturantes de personalidade e de comportamento, mesmo os de ficção. É possível que sim, mas acredito de facto nisso.
Acho que, no que diz respeito aos livros, os quase 50 anos de abril ainda não foram suficientes para aproveitarmos todas as potencialidades da liberdade. A liberdade dos livros é também a liberdade para poder pensar e fazer melhor, e essa liberdade ainda tem um longo caminho para andar.
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