terça-feira, 5 de março de 2019

Um livro é como uma mala?

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Um dia destes numa conversa entre colegas de trabalho falava-se sobre como comprar livros sem a intenção clara de os ler no imediato não faz sentido. Um dos participantes até nem concordava inicialmente que fosse uma ideia sem sentido, mas acabou por resvalar para a concordância. O argumento de base é que se não pretendemos ler o livro amanhã não faz sentido comprá-lo.


A determinada altura fui incluído na conversa e referi que muito frequentemente cometo esse erro de comprar livros que não sei quando vou ler. Muito frequentemente mesmo, ou seja, todos os meses isso acontece. Não fui apelidado de parvo, mas quase.


Confesso muito arrogantemente que não me dei ao trabalho de argumentar, porque, na minha opinião alguém que tem esta visão em relação aos livros é alguém que dificilmente terá capacidade para assimilar / compreender a real essência de quem gosta de livros, das razões porque os compra, no fundo a relação que tem com os livros.


Ainda assim, confesso que me faz confusão que as pessoas vejam um livro com uma mala: não faz sentido comprar se não for para usar. Não é precisa considerar, como eu, que o livro é um bem de primeira necessidade. Basta que se lhe atribua de facto algum valor e importância. Que se entenda que um livro não é um objeto decorativo, que deve fazer parte de uma casa, não para ser um bibelot, mas para poder ser consultado, lido. Criar uma biblioteca é algo desejável não é uma anomalia.


Acho que este tipo de pensamento explica muita coisa que se passa hoje na nossa sociedade.

6 comentários:

  1. Quando vou a casa de alguém ou quando vejo imagens de casas, não o digo, mas o que procuro como imprescindíveis são os livros, estou a tentar não aumentar mais a lista dos que tenho para ler mas desconfio que vou falhar...

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    1. Há uma frase de Cícero que eu subscrevo, e que diz qualquer coisa como "Uma casa sem livros é como um corpo sem alma", por isso compreendo o que diz.
      Da minha parte confesso que já não faço esforço nenhum (a não ser por razões de budget) para não aumentar a lista... neste momento já não é uma lista, são estantes!
      Boas leituras!

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  2. Ui, ui, o que eu podia dizer sobre este maravilhoso tema que é a compra de livros e as pessoas-que-se-metem-na-vida-dos-outros. *suspiro*

    De facto, também me causa alguma confusão quem não entende o gosto por adquirir um livro. O ser lido agora, ou não é um pensamento posterior. A alegria que é adicionar um novo título à nossa colecção, pensar no que vamos ganhar com aquela história, no que aquele objecto tem para nos contar e no facto de o podermos guardar para sempre e reler quantas vezes desejarmos é algo que não é possível explicar a quem não gosta de ler.

    Além disso, a mentalidade de "não serve para nada se não for lido agora" trata os livros como objectos com um prazo de validade, um reflexo, a meu ver, de uma sociedade que cada vez mais vive no imediato e no instantâneo.

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  3. Para mim, comprar livros apenas se fosse para os ler de imediato, seria uma tortura. Em termos económicos, não digo que não faça algum sentido mas... é-me contra-natura!

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